Enquanto eu sorvia alguns goles do delicioso café matinal, olhei à fumaça que se levantava diante dos meus olhos. Era o sinal de que estava no ponto ideal. Sozinho, pus-me a pensar o quanto eu gostava das manhãs. Ter a consciência de que estou vivo, despertar com saúde e saber das inúmeras possibilidades até o final do dia, proporcionaram-me a paz interior que me fazia sentir realizado. Olhando para o alto, rendi graças ao Criador.
Para complementar o meu deleite, pedi o meu habitual pastel de carne. A iguaria de origem asiática era paixão que não se desgrudava de mim de jeito nenhum. A primeira vez que o comi foi no bar de seu Zé Soares na rua Tertuliano Nepomuceno, no centro da cidade. Eu sabia que quem os produzia era a dona Zefinha, sua esposa, cozinheira prendada do mais alto gabarito. Conquistava a todos pelo esmero com que preparava os deliciosos alimentos, bolos e salgados.
Enquanto degustava o pastel, deixei a minha mente vaguear pelos labirintos do tempo. Lembrei-me do cheiro que invadia o bar de seu Zé Soares, quando eu e meus amigos, ainda de calças curtas e joelhos ralados, corríamos até lá com algumas moedas suadas na palma da mão para comprar pastel. Era uma festa! O vai e vem dos transeuntes e o rádio antigo tocando Luiz Gonzaga criavam uma atmosfera que, mesmo hoje, parece intacta dentro de mim.
Relembro do prazer de comer o acepipe nos eventos familiares, preparados por minha cunhada Célia que se destacava pela sua habilidade gourmet. Seus quitutes, incluindo os viciantes pastéis de carne eram disputados pelos comensais.
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LiteraturaJoão Neto Félix Mendes - www.apensocomgrifo.com 09/09/2025 - 08h 15min Reprodução www.apensocomgrifo.com
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