TRABALHO NÃO É PALCO

Pe. José Neto de França

Nem tudo é militância. Nem todo lugar é espaço de discurso.
A lacração cotidiana virou vício: grita, performa, aponta dedos — e entrega pouco.

Representatividade não é obrigação coletiva de validar penteado, roupa, linguagem ou gosto pessoal. Liberdade é escolher ser quem você é. Imposição é exigir que os outros aplaudam.

Empresa não é extensão da identidade de ninguém. Não é confessionário, não é tribuna e muito menos vitrine ideológica. Empresa tem dono, regras, cultura e imagem. Quem entra se adapta. Quem não aceita, sai. Simples.

Quer um exemplo básico? Uniforme. Ninguém entra em campo querendo jogar “do seu jeito”. Quem não veste a camisa, fica fora do jogo.

Isso não é racismo. Não é preconceito. Não é exclusão.
É alinhamento profissional.

Em entrevista de emprego, a empresa não quer saber da sua luta pessoal. Quer saber se você é capaz, disciplinado e disposto a representar a marca. Quando alguém troca preparo por discurso e competência por performance, o resultado é previsível: reprovação.

O mercado não recompensa militância. Recompensa resultado.

Você é livre para ser quem é.
Mas no trabalho, você representa o que foi contratado para representar — ou não representa nada.

E essa é a parte que incomoda.

Pe. José Neto de França
Sacerdote, Nutricionista Integrativo e Escritor

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