A vida precisa de estímulos que nos façam despertar por dentro. O novo chama, o diferente provoca, o inesperado quebra a rotina e, muitas vezes, aquilo que não compreendemos de imediato é justamente o que mais nos atrai. Mas nenhuma novidade permanece novidade para sempre. Depois do encanto inicial, buscamos algo mais profundo: confiança, constância, correspondência e paz. É nesse momento que as relações deixam de ser movidas apenas pela curiosidade e começam a revelar se possuem, de fato, razões para permanecer.
Conviver não deveria significar abandonar partes de nós para caber no mundo de alguém. Quando precisamos nos diminuir, silenciar convicções ou negociar continuamente aquilo que consideramos essencial, a relação deixa de ser encontro e se transforma em desgaste. Podemos ser diferentes em temperamento, gostos e maneiras de enxergar a vida, mas existem diferenças que enriquecem e outras que afastam. O que sustenta uma convivência não é pensar igual em tudo, mas compartilhar valores, respeitar limites e desejar futuros que não sejam contraditórios entre si.
Talvez por isso algumas pessoas nos encantem, mas não consigam caminhar conosco. Há encontros feitos para despertar emoções e outros capazes de construir caminhos. A intensidade aproxima depressa; a afinidade permanece quando a emoção se acomoda. No fim das contas, não precisamos de alguém que reproduza exatamente quem somos, mas de pessoas cuja presença não nos obrigue a lutar contra a própria direção. Porque caminhar juntos não significa dar passos iguais — significa, sobretudo, escolher horizontes que possam ser alcançados lado a lado.
Pe. José Neto de França
Sacerdote, Nutricionista Integrativo e Escritor
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