As aves foram criadas pela própria natureza para, com sua beleza, encantar o mundo, além de seus maviosos cantos, diferentes em cores e plumagem, ocupando todo o espaço que o homem também ocupa. Umas aves não aparecem tanto, vivendo escondidas, praticamente no ostracismo da natureza; outras fazem histórias, músicas, isto é, servem de inspiração para os poetas.
Hoje, foco a ave, o bacurau, que abundantemente povoou o Nordeste, mormente no sertão. Pertence à família dos Nyctidromus albicollis, tem forma de canto distintamente: “Amanhã eu vou”; e o outro canta seu próprio nome, constituindo-se uma onomatopeia: ave que diz o nome no canto. O bacurau é deveras surpreendente, essa variante que os estudiosos descobriram e identificaram.
O bacurau gosta de morar nas pedras, lageiros; quase não faz ninho, põe seus ovos praticamente ao relento. Não anda em bandos, mas prefere o acasalamento. Tem alguns que possuem penas brancas na cauda, pernas curtas, gostam de voar sempre à noite, em noite de lua cheia, com voos curtos e rasantes. Possuem dois olhos redondos que, no impacto da luz do luar, parecem crescer, aumentando de tamanho como bolas de fogo. Sendo ave inofensiva, alimenta-se de insetos que vagam à noite.
Durante o dia, passa grande parte dormindo, mas, quando a noite chega, o bacurau deixa sua toca, lança-se no plenilúnio de sua capa, em busca de suas presas, voltando somente no cair da madrugada, sendo uma ave notívaga da madrugada.
O desmatamento e as queimadas das matas, de forma desordenada, têm reduzido essas aves, tão belas quanto bonitas. Existem regiões em que elas parecem mudar de cor, como para camuflar os predadores. São aves tímidas e ciosas; talvez sejam da classe dos seres de simbioses. Possuem tamanho pequeno e têm uma “laia” de bacuraus, chamada, no sertão, de tesourão; possuem uma cauda mais alongada.
O poeta escreveu:
“Quero dar a despedida,
como deu o bacurau:
uma perna no caminho
e outra no galho do pau.”
(Anônimo)
“Namorei uma menina,
manhosa que só rabáu
tinha a manha na mentira,
como canta o bacurau.”
(AM)
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