A CRUZ: QUANDO A MORTE SE TRANSFORMA EM VIDA

Pe. José Neto de França

Não importa se a cruz foi feita de cedro, de jatobá, de goiabeira ou de jaqueira… Não importa a madeira! O que realmente importa é aquilo que ela carrega, revela e provoca dentro de nós. Para alguns, escândalo… Para outros, loucura… Para quem crê, porém, ela se torna sinal de salvação, caminho de amadurecimento, escola de entrega e expressão máxima de um amor que não recuou diante da dor. A cruz não exaltou apenas aquele que nela morreu… Exaltou aquele que livremente a escolheu para que, por meio de sua morte, a vida pudesse renascer.

E quando olhamos para a imagem de Cristo na cruz, o que vemos? Um derrotado… ou um Deus que permaneceu fiel até o fim? Um homem vencido… ou o Amor vencendo o ódio sem utilizar as mesmas armas do ódio? Na cruz, Cristo parece nos olhar… questionar… provocar… exigir escolhas. Escolhas de vida ou de morte… de luz ou de escuridão… de egoísmo ou de entrega. Contudo, até mesmo quando nos chama a morrer, Ele nos convida a uma morte que gera vida: morrer para o orgulho, para a violência, para a injustiça, para tudo aquilo que nos impede de sermos verdadeiramente humanos.

A cruz, portanto, não aliena… desperta! Não paralisa… impulsiona! Não distancia o ser humano da realidade… ensina-o a atravessá-la com fé, coragem e esperança. Nela, o tempo toca a eternidade… a terra aproxima-se do céu… o humano encontra o divino. A cruz nos recorda que Deus está presente, conhece nossas dores e permanece maior do que todas elas. Cruz da vida… do existir… do mundo… do homem… de Deus! Cruz… na cruz! Mistério que fere os olhos, inquieta a razão, comove o coração e salva aquele que se deixa transformar pelo Crucificado.

Pe. José Neto de França
Sacerdote, Nutricionista Integrativo e Escritor

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