O NAVIO, A FEBRE E O TAPIR.

Fábio Campos

A nossa crônica de hoje, um tanto assim romantizada, desde o título. Ensejamos para tanto, iniciá-la com uma décima [poesia]: No mundo, todos ouviram/ Que num navio holandês/ Uma febre matou três/ Isso pelo Hantavírus/ Aí, com a Anta buliro/ Ouça o que eu digo aqui/ Pra gente não confundir/ Hanta com Agá, mata/ Mas Anta de quatro patas/ Sem Agá, é um Tapir.

O hantavírus foi identificado pela primeira vez durante a Guerra da Coreia, no início da década de 1950, quando cerca de 3.000 soldados dos EUA e das Nações Unidas foram infectados. O vírus foi denominado “Hanta”, em homenagem ao rio Hantaan, que atravessa a Coreia. Antes disso o vírus teria causado febres hemorrágicas na Rússia (1913), na Manchúria e Escandinávia (1932-1935), e Finlândia (1945). O hantavírus só seria isolado em 1976, na própria Coreia, onde surgiu. A doença é transmitida pelo rato-do-campo-listrado [Apodemus agrarius]. O vírus como causador de síndrome pulmonar, seria reconhecido pela primeira vez em 1993. Fonte: sciencedirect.com

Rio Hantaan. Etimologia da palavra. Comentários nas redes sociais têm causado certa inquietação. Há os que, quanto pior melhor. E aí, tratam de alardear sobre uma nova pandemia surgindo. Também há os mais cautelosos, que acreditam no controle da situação. Com relação ao nome do vírus, a primeira versão ventilada, é que “hanta” significaria “mentira”, “engano”, “bobagem”, “algo falso”, em hebraico. Isso já foi desmistificado. Na verdade existe essa gíria, entre os povos do oriente médio, mas não refere-se ao vírus. Pesquisamos, e vejam só a diversidade de termos análogos, e seus significados, em coreano: “Hantan”: substantivo; lamento suspiro, ato de soltar um suspiro e lamentar ao enfrentar um evento injusto e irritante. “Hantaa”: proprietário; “hantaan”: posse. Fonte: copilot search.

Sobre o Navio holandês. O “MV Hondius, navio de cruzeiro, registrou um surto de “hantavírus” em 1º de abril de 2026, com oito casos confirmados e três mortes. O navio partiu de Ushuaia, Argentina, e estava ancorado ao largo da cidade da Praia, em Cabo Verde, quando o surto começou. Fonte: o globo.com” A propósito “Hondius” é nome próprio, no idioma holandês, mas com origem no Latim, traduzido literalmente “cão, cachorro”; formas alternativas: “Canisius”; “Canis”.

A Anta, conhecida cientificamente como “Tapirus terrestris” é um animal silvestre; da família: Tapirae, Perissodactilo, ungulados, ou seja, possuem cascos bipartidos com quantidade ímpar de “dedos”. Nativo das florestas da América do Sul, incluindo o Brasil. Este mamífero, considerado o maior mamífero terrestre brasileiro. Por ser frugívoro [sua alimentação é exclusivamente vegetariana], desempenha papel importante na dispersão de sementes em seu habitat.

Etimologia da palavra Anta, vem do tupi antigo “ta’pira”, que significa “boi silvestre”. Os portugueses adaptaram o termo durante a colonização do Brasil. Adotariam “Anta” como nome comum para o “tapir”. A palavra “Anta” tem raízes no latim “Antae” que significa “pilares”. Fonte: Wikipédia.org

Silvestre ou silvícola? Silvestre é exclusivamente usado para o reino animal, enquanto que silvícola refere-se a pessoas, nativos, indígenas ou habitantes primitivos de um local.Fonte: protecaoanimalambiental.com

Por que, hoje em dia, chamar alguém de “Anta” se tornou pejorativo? “A 500 anos, ser chamado de ‘Anta’ era um elogio, para os nativos brasileiros. Exatamente o oposto de seu significado depreciativo de hoje em dia. A Anta, era considerado, pelos indígenas, um animal sagrado. A nossa Via Láctea, era chamada pelos indígenas de “Caminho da Anta”. Na época da colonização, os portugueses perceberam o valor desse animal para os nativos, e usaram isso como forma de “desconstrução cultural”. Associando o índio, ao animal, como seres inferiores, difundido pelos colonizadores que aqueles, seriam desprovidos de almas, igual aos tapires. O nome do animal começou a ser usado para desmerecer o valor, a crença e a cultura dos nativos.

Como é chamado o “marido” da Anta? Anta é substantivo comum de dois gêneros. Assim como o, urubu, o jacaré, o besouro, o gavião; a cobra, a baleia, a formiga, a águia etc. para se designar o indivíduo macho e a fêmea, utiliza-se exatamente estas palavras, que adjetivam o substantivo: A Anta macho, A Anta fêmea. São também do gênero denominado, na língua portuguesa, de epiceno.

Outros assuntos. Na página do Instagram “portugueslegal” Sugere que palavras de origem no Latim, podem pertencer a idiomas diferentes, português e espanhol, por exemplo, mantendo sua matriz morfológica [radical e forma] e no entanto possuírem naqueles idiomas significados totalmente diferente. Por exemplo: ESQUISITO [Português] = Estranho; EXQUISITO [Espanhol] = Refinado; delicioso; PROPINA [Português] = Suborno; PROPINA [Espanhol] = Gorjeta, gratificação; APELIDO [Português] = Cognome; APELIDO [Espanhol] = Sobrenome; OFICINA [Português] = Lugar onde se conserta; OFICINA [Espanhol] = Setor Administrativo, escritório.

As mulheres romanas não tinham nome próprio. Na sua página do Instagram, Guilherme Dobrychtop, traz matéria interessante, sobre nomes próprios e tradição romana, dos primeiros séculos d.C. Segundo relata, as mulheres não possuíam nomes próprios, elas recebiam os mesmos nomes dos seus pais, no “feminino”. Por exemplo, a filha de Júlio Cesar e Cornélia se chamava, Júlia. Já Cornélia Cinna era esposa do imperador Lucius Cornélio. Pelo visto, essa tradição ocorre por todo Oriente Médio. Basta lembrar que a esposa de Herodes Antipas, tomada de seu irmão Herodes Felipe, se chamava Herodíades.

Ainda a respeito de nomes próprios. Amanda Menalau brincou no Instagram dizendo: nós, brasileiros, costumamos “engolir” algumas letras de nomes próprios, a exemplo de: Márcio, Marcelo, pronunciamos: “Mácio”; Macélo”; já Guilherme é comum ser chamado de “Guilérme”; Os nomes de Marília e Cecília, acrescentamos um “h”, chamamos de “Cecílha” e “Marílha”; Felipe vira “Filipi”, Sofia, Rodrigo e Carolina viram: “Sufia”, “Rudrigo” e “Carulina” que na versão reduzida vira: “Caról”; Márcia vira “Mácia” e Sérgio vira “Séju”. Sabe aquele “r” de Márcio e Marcelo onde vão parar? Em Ismael e Ismênia que viram: “Irmael” e “Irmênia”. Junior vira “Júnio” ou “Júino” e o diminutivo carinhoso: “Junín”.

A Tathi no Instagram “curiositathi” produziu uma matéria a respeito do sobrenome “Duarte” que teria surgido a partir de um nome próprio. Seria uma adaptação portuguesa de Eduardo, oriundo do francês: “Edouart”, que por sua vez, tem origem na língua anglo-saxônica “Eadweard, de partículas “ead” que significa “bens” ou “riqueza” “weard” significa “guardião”. Outra interpretação associa “Duarte” ao germânico [alemão] “Theodoric”, cujo significado vem de “poderoso no povo”.

PAUSA PRA REFLEXÃO. Um jovem declarou no Instagram: “ÓDIO, palavra com apenas 4 letras, AMOR também; CHORAR tem 6 letras, SORRIR também; MENTIRA tem 7 letras, VERDADE também; NEGATIVIDADE tem 12 letras, POSITIVIDADE também; MAL tem 3 letras, Bem também. Portanto amigo, tudo nesta vida possui dois lados, com suas IGUALDADES e DIFERENÇAS, nós é que decidimos de que lado queremos estar.”

UM POUCO DE HUMOR
COISAS QUE SUMIRAM DO NOSSO COTIDIANO A PELO MENOS 30 ANOS
FOTOGRÁFO LAMBE-LAMBE
ORELHÃO TELEFÔNICO
CAIXA DE COLETA DOS CORREIOS
APARELHO DE FITA VHF, FITA CASSETE, RADIOLA, DVD, FILMADORA
LOJA DE $ 1,99
JORNAL IMPRESSO
REVISTAS: PLAYBOY, HOMEM, ELEeELA, STATUS.
CARRO FUMACÊ.

EXPRESSÕES IDIOMÁTICAS [COMPLETAS] QUE CITAMOS PELA METADE
Para Um Bom Entendedor?... MEIA PALAVRA BASTA!
Vai Catar Coquinho... NA LADEIRA!
Isso foi a Gota D’Água... QUE TRANSBORDOU DO BALDE!
O Calor Tá de Rachar... MAMONA!
Jogou Verde... PRA COLHER MADURO!
É Cada Uma... QUE PARECEM DUAS!

NOMES ESTRANHOS DE MOTORISTA DE UBER
Mayneimes dos Santos. [Já imaginou, ele na Aula de Inglês. A professora perguntando: Como é seu nome?]
Lirôu Jon da Silva. [Acho que pensaram em Litlle John]
Flowers Pereira [Literalmente: Flores do pé de pêra]
Uaquicila Cherette [Tradução: Suváco fedorento]

O Poeta repentista, Ivanildo Vilanova, pernambucano de Caruaru. Em um Podcast, dizia que certa ocasião, numa entrevista, um repórter do SBT lhe perguntou: - Qual truque o senhor usa para fazer o repente? Respondeu: - Meu amigo, quem usa truque, é ladrão e mágico de circo, eu canto de improviso.

PIADA VELHA
O Empresário liga pro filho, que foi fazer intercâmbio em Londres.
-Oi filhão, como Estás?
-Tô bem pai. Muito estudo, trabalho...
-E o teu inglês, como Está?
-Tá bem, tá no banho.

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