“Hand” pode ser mão. Mas mão, nunca foi “hand”. Na última crônica, que publicamos falamos em descoberta interessante sobre o sinal gráfico, o til (~). Nem imaginávamos o muito que ainda tínhamos pra descobrir. Bruno Vaiano é autor de excelente reportagem sobre esse assunto, divulgada no Jornal da Unesp [vi na sua página do Instagram]. Intitulada: “Cantigas medievais revelam história de ditongos como “-ão” e “-ãe”, cuja pronúncia desafia estrangeiros.”
A conversa é extensa, porém vale muito à pena ler. Aqui à baixo, vamos resumir ao máximo o que disse o linguista. Usaremos nossas próprias palavras. Ele diz que recentes estudos, mostram que na Idade Média [século XIII] os nativos, falantes da Língua Portuguesa enunciavam palavras como “mão” e “não”, usando duas sílabas, [mã-o e nã-o] e não apenas uma [sílaba] como fazemos, hoje em dia.
E vai mais além, o sinal gráfico til (~) era, originalmente, uma abreviação da letra “n”, e não um indicador de nasalidade. Estudo diz que, a primeira gravação reconhecível de uma voz humana, data de 1857, quando o inventor francês Léon-Scott de Martinville murmurou alguns compassos da tradicional canção “Au Clair de Lune”, que entendemos que se traduz por: “A luz da Lua”.
Isso ele o fez, em uma engenhoca que batizou de fonoautógrafo. Diferente do gramofone, que reproduzia o som de discos, nesse caso eram cilindros. Estudando a sonoridade, deu pra descobrir, que a pronúncia de palavras com “ão” e “ãe”, eram em duas silabas, ou seja em ditongos. E a pesquisa ratifica que: “Quem aprende português brasileiro como língua estrangeira tem dificuldades com esses ditongos.”
E diz mais, o grande lance dessa descoberta, está na métrica, nas construções poéticas. E cita como exemplo, trecho de “Anunciação” de Alceu Valença: “Na bruma leve das paixões que vem de dentro.” Se trocarmos “paixões” [que tem duas sílabas] por “amores” [que tem três], é fácil perceber que não dá certo.
Um breve histórico do sinal gráfico til (~) já serviu, no passado, pra sinalizar abreviações. A palavra “prazer” aparece grafada como: p~zer. Encurtar as palavras era um hábito comum, porque tinta e pergaminho eram caros. O nosso “não” comumente podia ser grafado assim: nõ. Escrever a sílaba “pan” como “pã”. Estudioso concluiu que dava a entender que houvera uma modificação do tipo “coda”, isto é no “rabo” da palavra.
No tempo do rei Afonso X, palavras como “mão” e “não”, eram escritas e pronunciadas como “nano” e “mano”. O que se conclui que ditongos nasais acabavam virando hiatos. As cantigas de Santa Maria, são uma coleção de 420 composições musicais, escritas em galego-português no século 13. Essa discografia completa do catolicismo sobreviveu até os dias atuais, em quatro volumes chamados “códices”, Esse acervo encontra-se em duas bibliotecas na Espanha e Itália. Encontraram ainda, 150 cantigas, ditas profanas, que se subdividem em cantigas de amor, de amigo, de escárnio, e de mal dizer. As de escárnio contém, por exemplo, deboche e duplo sentido. Enquanto que o eu lírico, das cantigas de mal dizer esculacha abertamente seus desafetos.
Bruno Vaiano encerra dizendo: “toda fala é, em alguma medida, cantada. Usamos sinais gráficos como a interrogação e a exclamação, para exprimir variações básicas na entonação do discurso, mas eles não fazem jus a riqueza da prosódia humana. A língua é som, e o som deixa pistas mesmo no silêncio da tinta nas páginas.”
Nosso comentário sobre esse estudo: Há de considerar que, nenhuma palavra escrita com potencial nasalidade, seja possível de ser pronunciada da forma como são grafadas. A palavra “mão” possui três letras, e gramaticalmente três fonemas: m,a,n. E na prática? Cadê o “u”? que pronunciamos no final.
Sobre a história do “coda” algo me diz que foi daqui [a partir desse termo], que surgiu o vocábulo “cauda”. E que as cantigas de mal dizer, e de escárnio deram origem as cantorias, onde ocorrem, até hoje, as disputas entre os repentistas nordestinos. Também as músicas de duplo sentido. Acredito, que a censura vem dessa época, do período Medieval, ou pelo menos nasce ali, o embrião dela.
Hand pode não significar [necessariamente] mão. “Hand as a Help! “Uma mãozinha!” no caso de uma pessoa estar precisando, ou oferecendo uma ajuda; “Hand full” significa punhado de alguma coisa. “Hand a clock pointer” os ponteiros do relógio. “Hand as work” pessoa habilidosa. “Hands as clap” uma salva de palmas.
Pão. Cristão. Sertão. Observe, caro(a) leitor(a), como estas palavras apesar de foneticamente possuírem alguma semelhança na derivação sufixal [isso é no “rabo”, a “coda”] terminam todas com “ão”. No entanto, ao flexionar no plural sofrem modificações: Pães. Cristãos, Sertões. DICA: NÃO HÁ uma regra básica. Consulte o dicionário.
Aproveito a deixa do termo “pão” para um desabafo. Você, meu amigo, minha amiga, já observou, como a atual geração está chata! O advento da internet fez todo mundo se tornar especialista em tudo, e em nada! Alguém pega o pão e diz: “aqui está o pior alimento da humanidade.” E Rasga o verbo a falar mal do pão! Aí vem outro, e feito paladino da justiça, explode verborragicamente a favor, do injustiçado alimento milenar. Enaltece, e faz verso, eleva-o, ao ponto de levar-nos as lágrimas, por conta desse alimento tão sagrado. Eu gosto de pão. Isso é uma herança genética, até. Já tenho até cara de pão! Minha mãe gostava, muito de pão, desde menina sempre gostou. Podem falar! Euzinho aqui, nem defenderei [se é que já não estou defendendo!], nem tampouco, acusarei o pão, de nada. Continuarei apenas comendo. Pois, acredito que é pra isso que eles são feito.
UM POUCO DE HUMOR PRA ENCERRAR
DITADOS POPULARES COMPLETADOS POR CRIANÇAS
MENTE VAZIA?... Não Tem NADA.
EM BRIGA DE MARIDO E MULHER? ... EU Não quero Tá no MEIO.
MAIS VALE UM PÁSSARO NA MÃO?... DO que Na GAIOLA.
DEUS ESCREVE CERTO?... Porque Foi Pra ESCOLA.
EM TERRA DE CEGO?... É Tudo ESCURO.
DEUS AJUDA?... Quem vai Pra IGREJA.
CAVALO DADO?... Se VENDE.
QUEM TEM BOCA?... Tem NARIZ Também.
QUEM NÃO É VISTO?... NÃO é Encontrado
ANTES SÓ?...Do que LUA.
ÁGUA MOLE EM PEDRA DURA, TANTO BATE ATÉ QUE?... MOLHA.
UM DIA É DA CAÇA?...Eu TÔ Dentro.
PARA UM BOM ENTENDEDOR?...Entender MAIS.
JEITO NORDESTINO DE PRONUNCIAR O NOME DAS COISAS
ÔNIBUS = ÔINBUS
MÁSCARA = MÁSCRA
XÍCARA = XÍRCA
COLHER = CULÉ
GARFO = GALFU
POTE DE SORVETE = VASIA DE FEIJÃO
TAPPOWER = TAPUÉ
VASÍLIA = VAZILHA
VASSOURA = BASSÔRA
VASO SANITÁRIO = PRIVADA
LATA DE LEITE = LEITE NIM
BONÉ = BONEL
SANDÁLIA = CHINELA
PÃO COM CAFÉ = PÃO CUMCAFÉ.
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