E AÍ MARCELO! TENS IDO À CASA DE RECURSOS?

Fábio Campos

Está declarada aberta a temporada de caça. Caça aos votos. Estamos em plena campanha eleitoral para: governador de estado, deputado estadual, deputado federal, senado federal (2 vagas) e presidente da república. Portanto, já estamos na época do vale-tudo: xingar, falar mal até da mãe do adversário, mentir. Usar qualquer subterfúgio desde que signifique aumento nos índices de pesquisa de intenção de votos.

Veja só, caro leitor, a importância de se ter a tecnologia que hoje temos. Nas duas primeiras frases, que iniciam esta crônica, dúvidas vieram-me acorrer.
Perguntei-me, se não seria: “Está declarado aberto à temperada de caça.”? E, a outra frase: “Estamos a plena campanha eleitoral.”? Veio-me em auxílio o corretor de texto dizendo: “O verbo “declarar” naquela frase, está se referindo ao substantivo: “temporada”, e com ele deve concordar”. O “declarado” estaria certo, caso se referir-se a: “período de caça”. Pois neste caso o termo é do gênero masculino.

No segundo caso, o corretor, através de I.A. respondeu-me: “A palavra “plena” funciona como um adjetivo que significa algo por inteiro, no auge, no meio ou no coração de determinada situação. “A plena” não existe, com esse sentido, na língua portuguesa.” Portanto: O correto é: “Estamos em plena (ou estamos em pleno).

Na última terça-feira (25.08) o escritor historiador, meu amigo e confrade, membro da ASLCA [Academia Santanense de Letras Ciências e Artes] Marcelo Fausto, ministrou, na escola estadual prof. Mileno Ferreira da Silva, onde trabalho, palestra com o tema: “O Ciclo do Cangaço no Sertão”. Para um auditório bastante atento, composto por alunos e professores, Marcelo relatou fatos curiosos sobre o assunto. Entre estes, dissera que a palavra cangaço vem de canga, artefato usado para encangar uma parelha de bois. Também trouxe-nos os termos: coiteiro: cidadão comum (fazendeiro, comerciante ou agricultor) que fornecia abrigo, comida, munição ou informação sigilosa aos cangaceiros; volante: nome dado as tropas de policiais do governo; “macacos”: apelido dado pelos cangaceiros a grupo de policiais.

E mais essas, Casa de recurso (ou casa de tolerância): estabelecimento popular, que alugava cômodos para encontros amorosos, ou descanso momentâneo. Se faz necessário lembrar que estávamos no início do século XX. Naquela época, se uma moça perdesse a virgindade, e não conseguisse se casar era expulsa de casa. Só lhe restava uma saída: ir embora, ou se prostituir. Esses ambientes evoluiriam para os atuais Bordéis: Do francês “casa de tábuas, “bord”, “Bordello”; Cabarés: Do francês: casa de espetáculo; do Latim: “câmera”: quarto pequeno; Casa de prostituição; Prostíbulo: Do Latim: “Prostibulum” colocar à mostra o próprio corpo para práticas sexuais, em troca de dinheiro; Zona; Lupanar: Do Latim: “Covil de lobas” “lupa”: “Lobas”, meretrizes.

Outros assuntos. Estamos todos, tendo a cada dia, a sensação de que o tempo está acelerado. Parece até que os dias estão voando. E o que podemos inferir dessa conclusão? Demo-nos a nós mesmos oportunidades no tempo vivido. Há um provérbio, agropastoril alemão que diz: “Uma cerca dura 3 anos, um cachorro dura 3 cercas, um cavalo dura 3 cachorros e um homem dura 3 cavalos.” Isso coloca-nos a pensar, refletir sobre a efemeridade da vida. Sobre o que estamos fazendo com o tempo que [ainda] temos.

Sêneca[4 a.C.-1 d.C.], filósofo espanhol [Córdoba] escreveu que a vida não é curta por natureza, nós é que a encurtamos, gastando tempo em coisas que tem pouquíssima importância. E o fato de acharmos que ultimamente o tempo cronológico tem acelerado. É pura ilusão. Para uma criança de seis anos, os dias vão sempre parecer mais intenso, e a aparência de mais longos e duradouros, que para uma pessoa de setenta anos. As experiências, as aprendizagens, isso, é o que os torna assim. A humanidade, naturalmente, está envelhecendo.

A sensação que a maioria das populações experimenta é essa, de um aumento na velocidade do passar dos dias, das horas, dos minutos e segundos. Lembro-me eu criança, já ouvia tal expressão entre os mais velhos: “Hoje em dia não temos mais tempo pra nada.”. E “As horas e os dias voam.” E essa mais recente: “Mesmo com as tecnologias que dão a impressão de que podemos economizar tempo, sentimos cada vez menos tempo.”

De onde será que vem a palavra “Brega”? O termo no dicionário da língua portuguesa tem significado para: algo de mau gosto, medíocre, ordinário, cafona, vulgar ou sem elegância. Quanto a etimologia: Há duas versões: Em Salvador, capital baiana, existia uma casa de prostituição na rua Padre Manuel da Nóbrega, um luminoso com o nome do jesuíta foi perdendo letras a ponto de ficar só o final “brega”. As pessoas então diziam: “Vamos ao Brega.”. Em referência àquela casa noturna, de gosto musical duvidoso. Por isso passou-se a associar o estilo de música ao termo. A outra versão vem de Pernambuco. No ano de 1666, o português Jerônimo de Mendonça Furtado administrador colonial era apelidado de “Xumbergas”, em alusão ao alemão Frederico A. Schomberg. Ambos tinham má fama de namorar de maneira escandalosa, que passaram a chamar tal ato de “Xumbregar” ou “Chumbregar”. Tempos depois passaria a forma reduzida de “brega”.

Expressões que parecem certas, porém não são. Há construções pronominais que, pelo jeito aparentam estarem certas, parecem cultas, e o uso da ênclise parece correta. Vejamos os seguintes exemplos: “Ela nunca contou-me essa história.”; “Sempre perguntei-me se aquilo estava certo.” ; “Quem procurou-me àquela hora?”; “Ambas sentiram-se cansadas.” Estes são apenas alguns casos clássicos de erro, no uso da ênclise [partícula pronominal, depois do verbo. Antecedida de hífen]. O certo é o uso da próclise: “Ela nunca me contou essa história.”; “Sempre me perguntei se aquilo estava certo.”; “Quem me procurou àquela hora?”; “Ambas se sentiram cansadas.”.

E o velho Trema (¨) os dois pontos em cima da letra “u”, que ficava depois do “q” e do “g”, em determinadas palavras. Será que o mais novo Acordo Ortográfico adotado no Brasil em: 01/01/2016, não teria sido inconsequente demais ao aboli-lo? Se não, vejamos: na ocorrência desses dígrafos: “que”; “qui”; “gue”; “gui”. Como as novas gerações, e os estrangeiros vão lidar com estas situações: distinguir a pronúncia entre: “sangue” e “sanguíneo”; entre: “aquele” e “sequestro”; ente: “guia” e “linguiça”; entre: “quilo” e “tranquilo”. Antes, o uso do trema eliminava facilmente esta dúvida. Acredite, tive que apagar e redigitar todas as palavras que “mereciam” trema, porque o corretor de texto do [computador] laptop colocava o sinal em todas que deviam ter.

UMA REFLEXÃO: Quando era novo, havia locais que me causavam Arrepios sempre que ia: Parque de diversão [ andar de Roda-gigante], cinema [Assistir filmes], Boites [Casas de shows, baladas]. Hoje em dia, os que me causam Arrepios: Hospital, Delegacia, Cemitério. E o mais recente: Escola.

MAIS REFLEXÃO: “O futuro pra mim não é tão bom/ E o passado ta cheio de lembranças/ A tristeza virou minha Esperança/ Quem vivia tão “Sem”, hoje está “Com”/ Eu estou como um rádio em Alto Som/ Que o ponteiro perdeu a Sintonia/ Ao invés de ter Som ele só Chia/ Como quem não tem mais ninguém falando/ E o Pincel da Idade ta pintando/ Meus cabelos da cor que eu Não Queria. Repentista, Nonato Neto.”

UM POUCO DE HUMOR
NA FESTA
-Quer Uma Cerveja Moça?
Quero não. Cerveja só me faz mal na vida. A gente incha os pés, Gasta o que não tem. Dá uma de rica, fica braba, valente, adoece...
-Mas você quando Bebe fica Tão Feliz, Divertida, Dança, Pula...
-Pôxa! O Senhor é Um cara legal. Vou aceitar a cerveja. Como é Seu nome?
-Satanás.
Dois DOIDOS
-Eu Fui Convidado pra uma Festa
-E Tu vai?
-É Uma Festa de 15 Anos. Mas Eu só vou Poder ficar Uma Semana.

VIVA SÃO JOÃO BATISTA! QUE VENHA SETEMBRO.


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