Recordo Santana dos tempos passados,
O Ipanema cheio, quase a nado,
Sem deixar o povo passar;
De Caiçara tocando o sino,
Chamando o povo para rezar.
Recordo Santana do Cônego Bulhões,
Que, nas confissões, fazia o povo tremer;
Do Coronel Lucena, que, por qualquer cena,
Mandava prender.
Santana da professora Iluminata Brandão,
Da bondade do Cônego Cirilo em seus sermões;
Da eloquência política do prefeito Adeildo,
Na época das eleições.
Santana de Poni e Agissé,
Do Poço dos Homens, onde não iam as mulheres;
Santana de Moreninho, tocando seu violão,
De Caçador fazendo seresta
Na Correio do Sertão.
Santana de seu Cariolano Amaral,
Que passava remédio para todo mal;
Santana de Tadeu Rocha,
De Major Darci e Dr. Floro, seu irmão;
E, na calçada da igreja, fazendo medo ao povo,
A cabeça de Lampião.
Santana de Domício Silva,
Êmulo da exposição;
Santana do Ipiranga,
Do professor Mileno, que há tantos anos ensinou;
Santana de Alberto Agra,
Que também foi professor;
De Albertina, sua irmã,
Flor do Teatro Santanense,
Que nesta cidade brotou.
Santana do escritor Clerisvaldo,
O pai da Geografia;
Do jornalista Valões,
Que escreve com facilidade,
Mudando os costumes do povo
Pelas ondas da Rádio Cidade.
Santana das festas de Santana,
Que Dr. Dijalma escreveu;
Da Caminhada;
Dos Choviscos de Prata,
Que há tantos encantou;
E agora, dos novos prefeitos,
Que em tudo mudou.
Ah! Santana das tardes fagueiras,
Nas festas da Juventude,
E das chuvas passageiras.
Santana minha,
Santana dos senhores,
Santana de ontem e de hoje,
Santana dos meus
Observação: Por ocasião do lançamento do livro de Dr. Dijalma Melo Carvalho, de saudosa memória, “Chuvas Passageiras”, lançado em Santana do Ipanema, no dia 23/04/2003.Antonio Machado
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