Nosso querido estado de Alagoas, nesta quarta-feira (16/09), completou 209 anos de emancipação política. Em 1817 conseguimos nos desmembrar do vizinho estado de Pernambuco. Prestemos, com esta crônica, singela homenagem, a nossa terra compartilhando algumas curiosidades com relação a este evento.
A comarca de Alagoas já existia desde de 1711. E se chamava Alagoa do Sul, para diferenciar de Alagoa do Norte (atual município de Santa Luzia do Norte). Pernambuco antes da emancipação se chamava: Capitania de Nova Lusitânia. O nome Alagoas vem da quantidade de lagoas existente na região. Sendo estas as mais famosas: Manguaba (Lagoa do Sul), Mundaú (Lagoa do Norte) e Jequiá.
A palavra Manguaba, vem do Tupi “Ma’ngawa, que significa “coisa boa de comer”. Fruto da mangabeira, também chamado de “mangaba”; Mundaú da língua Tupi, “Rio da cilada” ou “Rio Tortuoso”, rio que nasce em Pernambuco e deságua na laguna de Maceió. Mundaú compõe nome de cidade alagoana: Santana do Mundaú. Jequiá, do Tupi “iekei” ou “jequi”, significa cesto de pesca afunilado usado como armadilha para capturar peixes. Jequiá, dá nome ao município de Jequiá da Praia, localizado na microrregião de São Miguel dos Campos, litoral sul do nosso estado.
O que levou a Comarca de Alagoas a se separar da Província de Pernambuco? É preciso lembrar que período político vivia o Brasil, na época: Brasil Colonial [1500-1822]. Movimentos ocorridos antes, como a Inconfidência Mineira [1789] “inconfidência” do latim” in-confidentia” “não-confiança”, quebra da confiança; Conjuração Baiana [1798] do Latim “conjuratio” “conspiração” prometer juntos; E veio a Insurreição Pernambucana [1817] do Latim “insurrectio –onis ato de se erguer ou levantar contra. No caso, a Capitania de Nova Lusitânia, em março daquele ano [1817] se rebelara contra a Coroa Portuguesa. Esta revolução pernambucana ocasionaria a instalação de um governo provisório em Pernambuco que duraria exatos 75 dias.
Quais eram em Alagoas, as principais cidades existentes na época da emancipação? Porto Calvo, a mais antiga cidade de Alagoas, fundada a partir de uma história contada de geração a geração, que as margens do rio Manguaba, vivia um velho calvo, o “porto do calvo”; em 12 de abril de 1617 a Vila de São Francisco era elevada a categoria de povoado, tempos depois passaria a chamar-se Penedo do Rio São Francisco [século XVII], e finalmente Penedo em 1842; A Vila Santa Madalena da Lagoa do Sul, atual cidade de Marechal Deodoro, fundada em 1591 seria elevada a vila em 1636; Piranhas inicialmente chamada Povoado Tapera, tempos depois Porto das Piranhas, e finalmente Piranhas, no século XVII; A cidade de Maceió, surgiu a partir de uma vila em torno do engenho de cana-de-açúcar: “Massayó” do Tupi “alagadiço”, que se desmembraria da Vila de Santa Maria Madalena de Alagoas do Sul [atual Marechal Deodoro] em 16 de dezembro de 1839.
Já se passaram mais de 30 anos, que compus uma poesia de cordel sobre Alagoas, em que faço uma analogia de nossa terra com a terra Santa, terra de Nosso Senhor Jesus Cristo. Senão vejamos: Aqui temos Mar Vermelho, Belém, Messias, Palestina; em Arapiraca a Cidade de Maria. Na cidade de Maceió o Canaã, a Gruta de Nossa Senhora de Lourdes, Santuário Da Virgem dos Pobres, o Palácio dos Martírios; na política tivemos os “marajás”; também sofremos com a seca, temos o jumento como meio transporte, assim como lá. Lugares com nome de santo: São Sebastião, Barra de São Miguel, São Miguel dos Campos, São Miguel dos Milagres, Santa Luzia do Norte, Santana do Ipanema, Santana do Mundaú, Barra de Santo Antônio, São Brás, São Luis do Quitunde, São José da Laje, São José da Tapera. Capela e Igreja Nova.
Simbologia da bandeira e do brasão de Alagoas. Na nossa bandeira vê-se três faixas verticais: vermelha (a esquerda), branca (ao centro), azul (a direita). O brasão central, projeto do professor Théo Brandão, instituído pela mesma lei que estabeleceu a bandeira do estado: “lei: 2.628 de 23 de setembro de 1963”.[nossa bandeira foi inspirada na bandeira da França, nos ideais de Liberdade, Igualdade, Fraternidade da revolução francesa [1789-1799].Alagoas se tornaria independente por ato do rei D. João VI, Em 16/09/1817. O escudo traz representação das suas três primeiras vilas: Porto Calvo, os três morros vermelhos, Santa Maria Madalena [atual Marechal Deodoro] e Penedo a torre vermelha. Três Tainhas (3 peixes) representam as três principais lagoas: Mundaú do Norte, Manguaba do Sul, e Jequiá isolada. Uma estrela de prata de cinco pontas: Heráldica, faz referência, a estrela que representa Alagoas na bandeira brasileira. “a destra um coimo de cana-de-açúcar empendoado, e a sinestra, um ramo de algodoeiro, encapuchado e florado. [...] Em baixo listel de sinopla (verde) debruado de jalne (oiro) com mote: AD BONUM ET PROSPERITATEM. Tradução do Latim: “PARA O BEM OU BOM REGIME E PARA A PROPRERIDADE. Os dizeres com a faixa verde só existe no brasão.
Tradução de alguns termos, pouco usual na língua portuguesa. “Coimo” ou colmo: É um tipo de caule aéreo, cilíndrico e dividido em gomos bem visíveis, caracterizado pela presença de nós e entrenós; heráldica: é a ciência que estuda, cria e descreve brasões de armas; empedoado: dotado de pedúnculo, ou pendão[botânica]; encapuchado: dotado de capucho ou capuz [botânica]; sinestra: o contrário ou oposto de destra[à direita]; Listel: moldura estreita lisa e saliente; sinopla: vem de “sinople” a cor verde em brasões.
Hino de Alagoas. [primeiras estrófes] “Alagoas estrela radiosa/ Que refulge ao sorrir das manhãs/ Da República, és filha donosa/ Maga estrela, entre as estrelas irmãs/ Alma pulcra de nossos avós/ Como benção de amor e de paz/ Hoje paira a fulgir sobre nós/ E maiores, mais forte nos faz/ Tu liberdade formosa/ Gloriosa Hosana entoas/ Salve ó terra vitoriosa, Glória à terra de Alagoas.” Letra: Luiz Mesquita. Música: Benedito Silva. Venceu por concurso público, em 1894, no governo de Gabino Besouro. Entoado, todos os dias, por ocasião da entrada dos alunos e professores nas escolas estaduais, até final da década de 1970.
Glossário do hino de Alagoas: “Refulge: brilhar com muita intensidade; donosa: elegante gracioso, que possui “donaire” [do espanhol] charme; Maga; que possui magia; pulcra: do Latim formosa, bela; fulgir: brilhar; Hosana: aclamação, vivas.”
Outros assuntos. “Nada é coincidência, cada alma que você encontra está escrita no seu destino, para lhe ensinar algo, para curar você, ou amar você. Quando você começa a enxergar a sua vida dessa forma, tudo muda. A pessoa que partiu seu coração, não foi um erro. A amizade que se afastou, não foi um tempo perdido. Até mesmo aqueles que machucaram você chegaram a sua vida com algum propósito. Todos que já cruzaram seu caminho deveriam de alguma forma estar ali. E talvez isso seja uma das coisas mais reconfortantes, ou uma das mais inquietantes.Reels Amigos no Instagram”
A palavra da semana é: “EUDAIMONIA: etimologia: a palavra é formada por dois termos do grego antigo: ‘Eu: significa “bom” o u”favorável”; “daimon” espírito, ou gênio. Significa literalmente o estado abençoado por um bom espírito, ou boa fortuna. Sendo amplamente traduzida como plenitude humana ou bem-viver. O conceito está ligado a uma vida ativa dedicada a virtude e ao desenvolvimento completo do potencial humano guiado pela razão.”
REFLEXÃO: “Ai! Se sêsse!...Se um dia nós se gostasse/ Se um dia nós se querêsse/ Se nós dois impáriasse/ Se juntinho nós dois vivêsse/ Se juntinho nós dois morasse/ Se juntinho nós dois drumisse/ Se juntinho nós dois morresse/ Se pro céu nós assubisse/ Mas porém se acontecesse/ que São Pedro não abrisse/ As portas do céu e fosse/ Te dizê quarqué tolice/ E se eu me arriminasse/ e tu cum insistisse/ pra que eu me arrezorvesse/ e a minha faca puxasse/ e o buxo do céu furasse/ Tarvez que nós dois ficasse/ Tarvez que nós dois caísse/ e o céu furado arriasse/ e as virge tôdas fugisse. Poeta Zé da Luz [1904- Itabaina-PB – 1965-Rio de Janeiro].
Curiosidade, sobre um conhecimento Não-verbal. Sabia que a bandeira dos navios ou caravelas piratas, ela tem um nome? Isso mesmo, aquela bandeira preta, com uma cabeça de caveira e dois ossos cruzados, se chama: “Jolly Roger” literalmente significa “vermelho bonito” mas outra versão aponta para “Old Rouger” literalmente a palavra “Diabo” na época dos corsários.
O “OBRIGADO!” e o “DE NADA”. Por que quando somos servidos de alguma forma, devemos agradecer com a palavra: “Obrigado!”? E por que a resposta do interlocutor é: “De nada!”? Na verdade, a expressão sofreu ao longo do tempo, um neologismo de simplificação, processo de formação de palavras por Redução. A expressão completa foi criada de outra forma: Quem diz: “Obrigado!” Na verdade deveria dizer: ‘Desde já, estou OBRIGADO a lhes retribuir este favor!”. E o interlocutor, por sua vez, responderia: “Não há DE que, não foi NADA!” Dizia isso, para aquele que recebeu não se sentisse em dívida ou constrangido.
REFLEXÃO 2: “A VIDA É CASA ALUGADA. A vida não nos pertence não/ Somos só visita nesse mundo/ Hoje estamos aqui, amanhã, ninguém sabe/ Nós vivemos como dono da estrada/ Como o rei sentado na varanda/ Fazemos planos pra cem anos/ Sem saber se amanhã ainda acordamos/ Decoramos casa emprestada/ Pintamos sonho na madrugada/ Mas o tempo passa sem pedir licença/ E leva tudo sem dar sentença/ A juventude vai embora devagar/ A saúde um dia pode falhar/ Os amigos mudam, o amor também/ Só Deus conhece o destino de alguém/ E quando a vida bater a porta/ Não há dinheiro que abra resposta/ Nem fama, luxo ou posição/ Pra impedir a despedida do coração.[...] Nós somos inquilinos... Música e interpretação: Kakinda do Seles [Angolano]."
Qual é o correto: Água benta ou água benzida? “Ambas as formas estão corretas. São particípios do verbo benzer. No entanto “benta” é a forma mais tradicional e consagrada.
HUMOR PRA ENCERRAR
“Há ocasiões em que abro a geladeira sem fome. Não procuro comida. E sim, uma solução para a existência. Até hoje, nunca encontrei a resposta, na gaveta das hortaliças. Machadas. Machadodeassis.instagram”
“Certa vez, um ladrão pulou o muro da casa de Rui Barbosa para roubar uma galinha. O famoso jurista acordou e se dirigiu ao galinheiro. E dirigindo ao larápio:
-Não o interpelo pelos bicos de bípedes palmípedes, nem pelo valor intrínseco dos retrocitados galináceos, mas por ousares transpor os umbrais de minha residência. Se foi por mera ignorância perdôo-te, mas se foi para abusar da minha alta prosopopéia, juro pelos tacões metabólicos dos meus calçados que dar-te-ei tamanha bordoada no alto da tua sinagoga que transformarei sua massa encefálica em cinzas cadavéricas.
O ladrão pasmo e sem entender patavina, tascou:
-Cumé doutor, posso levar ou não a galinha?”
QUANDO ENTRAR SETEMBRO/ E A BOA NOVA ANDAR NOS CAMPOS... Musica e interpretação Ednardo. Créditos: copilot/search/ Instagram/Google.com.br/ marcoeusebio.com.br by piada de Rui Barbosa.
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