RELÓGIO QUE ATRASA NÃO ADIANTA

Antonio Machado

A história é a rainha das ciências, haja vista nos levar às mais longínquas distâncias e ainda detalhar, com perfeição, todos os ângulos, enriquecendo o leitor.
Exerci, com sublime vocação, a profissão de professor por cerca de 25 anos interruptos. Quantas viagens nas asas da história sem nunca ter viajado. Conheci culturas, hábitos, ecossistemas, tudo quanto a história prodigaliza a quem gosta de ensinar. Quanto aprendi!
Cora Coralina sentenciava que: "Aprende pouco quem ensina muito", e eu acrescento este adendo: aprende pouco quem muito estuda, e pouco sabe quem estuda pouco.
A história conta o passado e registra o presente com perfeição, levando o Marquês de Maricá a escrever que: "A história é a biografia da humanidade". Nesta aglutinação de palavras não cabe mais nada. Se suas palavras, caro leitor, são maiores e melhores, serás um sábio. É da necessidade que nasce a sabedoria.
Quando o gênio Alberto Santos Dumont (20/07/1873-23/07/1932) trabalhava na sua engrenagem, era o protótipo que se tornaria, ao meu ver, o maior inventor da engenharia do mundo, o avião, errando e acertando, mas continuando, jamais tendo sido subestimado pelo fracasso, sublimando sempre pelas maiores buscas, querendo sempre ampliar seus conhecimentos. Mesmo tendo errado 13 vezes, jamais lhe perpassou a ideia nefasta de desistir, mas de se aperfeiçoar mais, a sua resistência na luta idômita.
Santos Dumont conseguiu voar no avião que passou para a história como "14 Bis". As pessoas, na época, viram assustadas Santos Dumont montado em seu invento, seu ideal se tornando realidade, tão importante quanto útil, assombrando o mundo.
Santos Dumont inventou também o relógio de pulso, importante para a época, pois o engenheiro, conhecendo da necessidade do instrumento para consultar as horas no voo e estando com as duas mãos ocupadas, teve a ideia de criar um aparelho que viesse solucionar o problema, acoplado a seu corpo. Foi quando lhe veio a ideia de criar o relógio de pulso, que tanta importância teve e tem para a época.
Porém, hoje os relógios caíram no ostracismo da história, com modelos que vêm acompanhando a modernidade. Em todas as nuances, os relógios saíram do bolso para o braço, para o dedo, para o pescoço e tantas partes do corpo humano, já servindo mais para adorno, saindo do seu ponto primordial e essencial, informar as horas. Outros nem trabalham mais.
Dentre tantos dissabores que a vida lhe trouxe, ele cometeu o suicídio.
(Continua...)
Ele escreveu: "Se é belo ter um ideal, é sublime morrer por ele."
E na mais bela cidade do sertão alagoano, Olho D'Água das Flores, emancipada aos 02/12/1953, construiu sua primeira capela em 1864, e somente em 1936 foi construída a igreja matriz. O povo olhodaguense sempre desejou um relógio 4 faces colocado na torre da matriz, desejo também do venerável sacerdote Monsenhor Moisés Vieira dos Anjos (15/11/1903-04/09/1996).
Vi e ouvi com alegria Monsenhor Moisés dos Anjos na missa vespertina das 8 horas, no dia 20/09/1999, sonho realizado pelo então prefeito Elânio Quintela Abreu. De minha residência ouvi o velho carrilhão soltar seu som plangente para os lares olhodaguenses. Na hora do Angelus, tocar suavemente a Ave Maria e seguia adentrando a casa do lavrador. O homem do campo, ouvindo, tirava o chapéu em respeito à Mãe de Deus.
Hoje, silêncio.
Estive ao topo do velho sino, para averiguação do que ora registro, e constatei que a peça está deteriorada, carecendo de reparos graves. Procurei o vigário local para uma explicação. O jovem levita olhou o céu, como quem procura resposta, e me disse que já tentou fazer o sino voltar a funcionar, porém não existem mais peças para o maquinário, carecendo de uma substituição, o que parece que não existe mais nada.
Espera-se que o padre, que é trabalhador e vem dando prova disto no aumento da matriz, possa fazer agora voltar o sino a espargir seu som maravilhoso sobre os lares olhodaguenses.
Deixou escrito Padre José de Souza Leite, primeiro vigário:
"Viva Santo Antônio, Nosso padroeiro, Enche de alegria, Olho D'Água inteiro." :::

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