Encrustada na área do polígono da seca, o sertão se ressente constantemente das bravas secas e tiranas que afligem essa área tão calcimada pelas intempéries da natureza. Focando o sertão de Alagoas, vê-se que a pluviomecidade é de menor intensidade, variando ainda de região para região, piorando muitas vezes a situação com chuvas poucas e adversas, prejudicando sensivelmente os sertanejos, mormente no cultivo da lavoura e na pastagem para seu rebanho.
A fauna quase já não mais existe; vê-se o campo predatório cada vez mais aumentando. Muitas aves e animais que existiam no passado hoje são lembranças que não voltam mais. Vê-se a flora desgastada, as flores quase não mais existem, ficando somente os lugares onde enfeitavam, a exemplo dos eucaliptos, que não são nativos do sertão, sendo plantados nas fazendas para a utilização de corte para móveis e outras construções, sendo também usados na medicina, sobretudo as árvores fêmeas, que ainda a beleza exuberante de seu tamanho, fazendo a diferença dentre as demais áreas.
A chuva, trazida pelas poucas trovoadas que caíram, sequer foi suficiente para florescer o sertão, a exemplo do pau_darco ou Ipê, a craibeira, sendo a árvore símbolo de Alagoas; outras árvores de pequeno porte, ínfima floração, levando a produzirem poucas sementes, perpetuando a história das grandes árvores, e, se não tem flores, não há frutos, e a seca, porém, continua...
Os pequenos reservatórios dagua não chegaram ao meio de sua capacidade de água, porque a chuva foi pouca. No sertão, quando as trovoadas são constantes, tem-se uma região bonita. O último Natal (2025), as plantas passaram nuas, sem a folhagem e a floração de sempre, estavam irtas, visto ser a flor que, mesmo na sua pequeneza, modifica o ambiente, haja vista ser as flores que embelezamento o sertão.
Faz-me lembrar de uma estrofe do imortal Humberto de Campos (1886-1934): “Até as flores do campo/também dependem da sorte/assim como enfeitam a vida/também enfeitam a morte”. É o destino de cada um. O Natal de 2025 foi triste, porque faltou a chuva dadivosa para a serra florir com a alegria da natureza.
As flores do sertão geram uma beleza à parte, mesmo na sua simplicidade, mas tudo depende da chuva, que não veio, e as sementes não germinaram, tornando uma região mais seca e inóspita, sentida. Como sertanejo de sete costada e defensor dos órgãos do governo, creio ainda na inteligência do homem no IBAMA, no DENOC, SUDENE e outros órgãos que trabalham em defesa do sertão.
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