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Literatura

João Neto Félix Mendes - www.apensocomgrifo.com

Não sabemos ao certo o porquê do bairro antiquíssimo do subúrbio santanense se chamar “Maniçoba”. O que se conhece do vocábulo é que representa uma arvoreta própria no Nordeste que no passado se produziu borracha. Nomeia, também, prato típico nordestino com folhas de mandioca que se cozinha por mais de 24 horas para perder a toxicidade e formar um caldo espesso com ingredientes semelhantes aos da tradicional feijoada.

Em 1771, João Carlos de Mello que morava na localidade, vendeu parte de sua fazenda que deu início - digamos assim - à cidade de Santana do Ipanema em 1787. No início do século XX a antiga estrada em direção a Palmeira dos Índios passava pela localidade.

Fonte: Livro Martinho Vieira Rego - Fundador de Santana do Ipanema,
de Luiz Antônio de Farias, Capiá.


Naquela povoação periférica se estabeleceram os ancestrais da família Félix da qual eu pertenço. Infelizmente, meus avós foram embora desgostosos para Sertãozinho(Major Izidoro) porque suas terras foram roubadas. Eram pequenos lavradores e criadores de pequenos animais. Nos anos 1970, meu pai, abrilhantou as festividades do Sagrado Coração de Jesus, cedendo o grupo gerador de energia elétrica e serviço de alto-falante com o apoio do líder comunitário José Félix Vieira(Zé Rosa). Padre Cirilo conduziu as celebrações religiosas.

O único tio que tive algum tempo de convivência foi Abílio Félix(1918-1980), irmão da minha mãe. Naquela época ele morava em Propriá SE, às margens do Rio São Francisco, onde ele exercia o ofício de pescador artesanal em parceria com o irmão Manoel Félix, que já era pescador profissional.

Ainda menino, cheguei na sua vida num momento dos mais difíceis: durante o luto da sua esposa Laura, que havia deixado um filho quase adulto, José Félix, desenhista dos bons.

Minha mãe, zelosa como sempre foi e preocupada com o futuro do irmão e do sobrinho, em vez de recomendar, exigiu que se mudassem para Santana do Ipanema. O objetivo era ajudá-los no recomeço da vida. Ele, receoso do futuro, não cumpriu a exigência antes de se casar novamente com a sergipana de Porto do Folha, Maria dos Prazeres(1944-2012) em 1969.

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