Os cactos que infestam as caatingas sertanejas são, no geral, marcos de luta contra as canículas nordestinas. Depois do juazeiro, somente o cacto resiste, impávido e soberbo, ao impiedoso sol de nosso sertão.
Viajando no estio, sente-se de logo a tristeza do ambiente, ao deixar a chamada Zona da Mata: salta-nos à vista aquela porção de mandacarus, facheiros, alastrados e coroas-de-frade que vicejam entre angicos, catingueiras, marmeleiros ou bonomes crestados, depenados, esqueléticos e cinzentos, por não terem suportado a desumanidade de um calor esturricante.
Enquanto certas árvores imitam pessoas resignadas pela humilhação, face à superioridade das forças adversas, o cacto se assemelha perfeitamente ao herói cuja bravura não arrefece na luta contra o mais feroz de todos os inimigos.
E o sertanejo parece ver no cacto um legítimo irmão de lutas contra o flagelo das secas. O homem do sertão ama, como se fossem seres animados, o xiquexique, o facheiro, o quipá, o alastrado e a coroa-de-frade que, quando lhe não fornecem os frutos por alimento, dão o cerne que sustenta o gado ou lhe oferecem água da medula para matar a sede quase secular.
O cacto e o homem do sertão solidarizam-se e se confundem na luta pela vida, de tal sorte que ninguém compreenderia um, se não contasse com a existência do outro.
Quem deixava Santana em busca do arrabalde de Bebedouro. ao descer a ladeira que sai da cidade, topava, quase de testa, com um pé de imbu-cajá, os galhos espraiando-se para um e outro lado e por sobre a casa a cujo dono a árvore pertencia.
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LiteraturaJoão Neto Félix Mendes - www.apensocomgrifo.com 08/06/2026 - 12h 42min Reprodução www.apwensocomgrifo.com
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