Uma cena criada por IA, a partir de uma foto minha quando eu tinha por volta dos 9 anos, despertou lembranças profundas da minha infância.
Desde muito cedo, por volta dos 8 anos, comecei a trabalhar. Em Santana do Ipanema, carrocei na feira-livre, engraxei sapatos, vendi picolé, cocadas e frutas de porta em porta. Aos 11 anos, trabalhei em um bar e, dos 14 aos 16, na Casa O Ferrageiro. Mais tarde, em São Paulo, fui balconista de padaria e funcionário do Banco Econômico. Depois disso, tornei-me professor, padre, escritor e nutricionista integrativo.
Mas hoje quero falar do trabalho na infância.
Nunca fui obrigado por meus pais a trabalhar. Pelo contrário: sempre tive liberdade para escolher. Optei pelo trabalho ainda menino porque desejava ter meus próprios “trocadinhos”, de forma honesta. Vindo de uma família pobre, eu sabia que não podia exigir nada deles.
Com o que ganhava, comprava material escolar, às vezes um lanche na escola (quando sobrava), ia ao matinê de domingo no cinema, comprava uma roupa simples nas bancas da feira — sempre a prestação — e, semanas antes do São João, começava a juntar dinheiro para os fogos de artifício.
Pensava também na minha família. Mesmo sem nunca terem pedido ou exigido nada, sentia alegria em ajudar, quando podia, na compra de algo comum para todos.
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Colunistas: O TRABALHO NÃO ME TIROU A INFÂNCIA, DEU-ME RUMO
LiteraturaPe. José Neto de França 13/01/2026 - 16h 10min Acervo do autor
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