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Literatura

Por João Neto Félix Mendes - www.apensocomgrifo.com

Não há dúvidas de que o maior legado da cultura santanense é a religiosidade, fruto da ação evangelizadora do missionário apostólico Padre Francisco Correia a partir do século XVIII e os seus sucessores na Ribeira do Panema, habitada basicamente pelos índios Fulni-ô, antes da chegada dos fazendeiros. Sem a preservação da história seremos peregrinos caminhando sem saber para onde…

A capela de São João Batista do bairro Bebedouro, subúrbio de Santana do Ipanema foi construída, provavelmente em 1917, pelo artesão de chapéu de couro de bode, religioso e festeiro do bairro, senhor João Lourenço, como penitência e promessa pelo fim da gripe espanhola que matou milhares de pessoas no Brasil e no mundo no período da primeira grande guerra mundial.

Na década de 1970 constatamos “in loco” vários tanques de curtimento de couro no bairro. Desde o final do século XIX e início do século XX que a região se destacava como polo produtor de couros e peles que eram vendidos para outras regiões e até para o exterior, contribuindo muito para o desenvolvimento econômico da cidade.

Não há dúvidas de que o templo foi planejado e construído por um mestre de obras ou engenheiro experiente pelos critérios dos detalhes aplicados, com predominância da horizontalidade. Seu "pé-direito" elevado destaca-se das construções da época, haja vista sua localização ser no bairro de periferia. Essa escolha certamente encareceu e muito o custo da obra. Não está descartada a hipótese de que o primeiro engenheiro civil da Vila, Joaquim Ferreira da Silva(1888-1960), pai de Mileno Ferreira(1925-1988), tenha participado da empreitada. Ele foi o engenheiro do casarão da esquina no centro da cidade entre 1918 e 1920. Era um homem viajado e com ideias progressistas. A fachada da sua casa, na rua Coronel Lucena, é um exemplo evidente. Nenhuma outra capela da região tinha tantos ornamentos.

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