Feliz Natal mestre Hermídio Firmo

Literatura

Por M. Ricardo-Almeida

Havia gente que, independentemente dos tratados sociológicos e os seus conceitos, se presentificava na memória por gerações, a exemplo do mestre Hermídio. Por que a lenda superava a história, a Antropologia ainda não possuía respostas. E, porque você simbolizava em Santana do Ipanema a festa que se repetia todo ano, Feliz Natal mestre Hermídio Firmo, que figurava como símbolo do Natal em Santana desde a infância de Breno Accioly.

Diante de casa, hoje e sempre, o mistério da fé. Festa de Natal todo ano se repetia o mistério da fé. Nada se concluía se caso não houvesse o mistério da fé.

Aquele contista da loucura na rua dos lampiões apagados, nas ruas do Recife, lembrava-se do artesão preso à sua infância. Encaramujado Rodin sertanejo, e ele era ao mesmo tempo amplo quais afluentes que engordavam a bacia amazônica, casmurro em seu dom no interior de sua casa, artista cercado pelos mistérios de sua arte em madeira quais enigmáticas pirâmides representando a morte. Isto oculto na cabeça das crianças – à época de Breno Accioly – mestre Hermídio dando vida a bonecos inanimados.

Na escritura memorialística de Accioly, meros bonecos de madeira e mola, na casa do mestre Hermídio, criavam de repente vida, pulavam da memória à narrativa ressignificando personagens que lembravam contos de H. P. Lovecraft e Edgar Allan Poe, um misto da poesia de Ascenso Ferreira e Augusto dos Anjos. Santeiro Hermídio Firmo, vindo não sei de onde, firmou-se em Santana, repetindo a cada ano os mistérios da fé no presépio quando o Natal era festa na alma de crianças; presentificando na infância do povo e nas gerações vindouras imagens do eterno retorno tantas vezes requentado por Nietzsche.

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