O fanatismo político é, entre tantos fanatismos, mais uma admiração desmedida, cega e irrefletida por algo, no caso, por um político, um partido e/ou uma ideologia política. Está presente em todos os ramos da política moderna, bem como esteve em todas as épocas do processo civilizatório.
Temos, portanto, fanáticos de esquerda, direita, centro, e de todas as combinações possíveis. O que caracteriza um fanático político é a sua tendência a crer, veementemente e peremptoriamente, sob uma religião política, que as suas visões, considerações, conhecimentos, realidades, constatações, aspirações, perspectivas, conceitos, posições, atos, discursos e práticas, as suas verdades subjetivas sobre um político, um partido, uma ideologia são uma verdade incontestável e universal, devendo, por isso, ter que ser aceita por todos da sociedade e até mesmo do mundo.
Neste sentido, de algum modo, é como se fossem postos a priori limites ao pensamento crítico, à História, às ciências, à razão. É como se se criasse uma redoma protetora em torno de tal crença onde a crítica e a realidade fatual não pudessem alcançar tal objeto, como se fossem inimigas (até letais!) de tal crença.
O fanatismo político está associado às massas emotivas e mantém inter-relações fortes com líderes carismáticos e populistas. A História humana está repleta de exemplos de líderes que se assumiram como deuses ou enviados por deuses ou que afirmavam deter poderes especiais, mágicos, divinos ou que clamaram ter recebido uma certa procuração metafísica para representar divindades, por exemplo. Tudo isso com a conivência e a legitimidade de um séquito acrítico, desesperançado, emotivo, que parecia e parece ter necessidade de alguma divindade para ser feliz ou alcançar algum tipo de perdão, alívio, catarse ou salvação.
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Colunistas: Fanatismo político
LiteraturaPor Redação com Adriano Nunes 27/02/2020 - 11h 25min Arquivo Pessoal
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