Muitos são os conceitos sugeridos para designar o sentimento de solidão, entre os quais podemos observar opiniões antagônicas ou simplesmente díspares, porém complementares entre si. Isso acontece entre os que exaltam os momentos de solitude, eventualmente necessários a qualquer ser humano, ou mesmo entre aqueles os abominam, temem e se esforçam para evitá-los.
Existem os que acreditam que a solidão seja a condição mais autêntica, digna e aprazível de se viver.
Vejamos alguns exemplos:
"Jamais encontrei companheiro que me fosse mais companheiro que a solidão" (Henry Thoreau).
"A solidão é a sorte de todos os espíritos excepcionais" (Arthur Schopenhauer).
"A mais feliz das vidas é uma solidão atarefada" (Voltaire).
Em Thoreau, podemos identificar que esta foi a fonte de inspiração de Nelson Rodrigues ao dizer que "a pior forma de solidão é a companhia de um paulista". Do que certamente Vinicius de Morais discordou quando disse que "mesmo o amor que não compensa é melhor que a solidão". E Erasmo Carlos corrobora tal afirmação com o dito de sua avó: "Antes mal acompanhado do que só".
Schopenhauer, com essa frase aí, apenas confirma a impressão que muitos dos seus ditos me causaram: tornou-se um velho ranzinza; gênio, sim, mas ranheta. Muita gente acredita que a intolerância é uma característica própria dos gênios, mas creio que, apesar de alguns deles revelarem tal comportamento, isso, pelo contrário, turva a genialidade, impede o gênio de manifestar suas ideias com clareza. Se a intolerância fosse atributo da genialidade, a afabilidade seria a qualidade precípua da idiotia (idiota não é afável, é subserviente). Evidente que ser tolerante não significa anuir a injustiças ou comungar com todos os credos ideológicos. Ser tolerante é suportar as adversidades sem assentir naquilo que se pode considerar injusto, é saber identificar o que é relevante e reconhecer o momento oportuno da ação.
Clique Aqui e veja o artigo completo
Literatura: Solidão atarefada e autoconhecimento
LiteraturaPor Redação com Fernando Soares Campos 24/02/2020 - 21h 41min Acervo do Autor
Comentários