Os bolsonaristas sustentam-se emocionalmente e moralmente uns aos outros. Em seus grupos fechados de whatsapp, compartilham fake news e notícias que apenas ainda os contentam e os iludem. A realidade não lhes interessa. Ela os fere, pensam. Porque muitos deles inventaram uma outra realidade em que a terra é plana, em que o inimigo maior é o comunismo, mas não só.
Incapazes de reconhecer que apoiaram todo o horror e absurdo que aí está, tudo de grotesco que se vem desenhando no cenário nacional, incapazes de querer enxergar o estado autoritário, fundamentalista, preconceituoso, moralizador e sob diversas suspeitas mesmo graves, eles recorrem justamente a argumentos que criticaram quando na era petista. Vou reforçar-lhes a memória: durante os escândalos do mensalão e petrolão ficavam indignados (seletivamente, claro, como a história vem demonstrando!) com o argumento da cúpula petista de que "não sabia do que estava acontecendo". Agora, lançam mão do jargão: "votei no pai e não no filho!" como se a linha entre um e outro fosse tão nítida e intransponível. Rejeitam as evidências de corrupção como se "corrupção" fosse o menor dos crimes, como se a corrupção fosse menos danosa do que ser de esquerda. Lembrem-se de que parte da esquerda criticava abertamente o governo petista. Tudo que se desvencilha da crítica deve ser tomado como suspeito.
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Colunistas: Que resta aos bolsonaristas? - por Adriano Nunes
LiteraturaPor Redação com Adriano Nunes 21/12/2019 - 20h 30min Arquivo Pessoal
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