Colunistas: A crítica não é para principiantes: um ensaio irônico

Cultura

Por Redação com Adriano Nunes

Sou crítico tanto da esquerda quanto da direita. Optei, há muito, pela razão crítica, doa a quem doer. Hoje, li esse interessante e instigante artigo “O futebol não é para principiantes“, do pensador português João Pereira Coutinho, que costumo ler e, algumas vezes, já fui crítico seu, principalmente quando ele abordou Kant, de forma mesmo superficial. O seu artigo foi publicado na Folha de São Paulo, em 12/06/2018. Merece ser lido, por múltiplas razões, entre as quais: porque foi escrito com certa ironia inteligente, por ser crítico, de algum modo, e por ser honesto intelectualmente, pois, sendo português, não se exime de defender, às claras, o que admira de sua nação. É passível de alguma crítica? Claro! Tudo precisa ser criticado para que não seja tomado por suspeito e perigoso. Uma possível crítica a ele é justamente achar que por se criticar um comportamento, por exemplo, antiético ou mesmo não tomado como “aceitável” do ponto de vista moral, tenha-se que, por isso, ser tomado como um “ressentido”. É até possível que haja, de algum modo, ressentidos ou invejosos no bolo todo, mas querer esquivar-se da crítica é que torna o criticado suspeito. Pois bem: ele trata da questão obra-autor, feito-autor, mostrando que devemos separar as coisas. Concordo. Mas (olha a condicional criticada por Coutinho!) não se pode afirmar categoricamente que, aos que fazem a crítica quanto ao comportamento de um autor, seja invariavelmente para atingir a obra, ou seja sempre de modo ressentido ou invejoso.

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