Colunistas - Primeiro Fest Car - por Antonio Machado

Cultura

Por Redação com Antonio Machado

Os Sertões de Euclides da Cunha, dos recôncavos das serras que abrigavam Lampião e seu bando, das cantorias de violas, dos poetas repentistas a exemplo de Zequinha Kelé, cego e pobre, pedindo esmolas em uma feira ruim, só ouvia a expressão perdoe, perdoe e a bacia de queijo do reino cada vazia, espirituoso como era continuou sua rotina, e lá para as tantas, o poeta respondeu: “ a bacia do perdoe, eu deixei no Travessão, enborcada em cima da mesa, bem pertinho do fogão, para encher de farinha e comer com feijão” Serão dos padres de batina que davam dia santo e o povo gravava. Há! Prezado leitor, esse sertão ficou para trás, já fez muito tempo, existindo somente nos livros e algumas pegadas, que o tempo não apagou. O Sertão hoje tem outra face, com outra performance, o celular faz parte da vida do sertanejo, aliado a internet, mostrando e vendendo tudo, aproximando as pessoas é um sertão moderno, com vaquejadas “pop” com vaqueiros que parecem artistas, e à noite a moçada cai na balada ao som das famigeradas bandas de forró, que descaracterizaram as músicas juninas subtraindo as beleza. O sertão tem agora o FEST CAR, que está invadindo as cidades sertanejas, com nomes em inglês ao som dos estridentes paredões, com seus sons acima do normal, atingindo os tímpanos humanos, porque os decibéis lá não consta, e a moçada rebolando dentro de um minúsculo short cheio de buracos. Foi o que idealizou e realizou os cidadãos Serjão Cross, Felipe Piaba, Edilson Gravações e Noronha Radiadores no último final de semana, na bucólica cidade sertaneja de Olho d’Água das Flores, promoveram o 1º FEST CAR, com veículos antigos.

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