Ao ler a reportagem "Giorgio Agamben: o estado de exceção se tornou norma", publicada em El País, hoje, vi que o filósofo italiano parece atacar a ética kantiana, pondo-a num "pacote" com as éticas posteriores, dizendo que "a ética moderna, desde Kant, se constitui como uma ética do dever, dominada pelo imperativo. Tentei criticar a ética do dever e substituí-la por uma doutrina, procedente do mundo clássico, que valorize a ideia de felicidade, a vida boa. Em um sentido político. O dever é uma ideia de origem cristã. O homem é um ser em dívida. Isso significa dever: estar em dívida”. Primeiro erro seria dizer que todas as éticas modernas têm base no "dever". A ética kantiana não pode estar no meio do balaio que abrange, por exemplo, a ética utilitarista de Bentham e John Stuart Mill. Reduzir a ética kantiana a mero dever é supor que ela é exclusivamente um imperativo e nada mais além disso. Tais éticas não põem o dever como fator principal, mas, sim, justamente a máxima felicidade.
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Colunistas: "A ética kantiana" - por Adriano Nunes
CulturaPor Redação com Adriano Nunes 01/05/2018 - 10h 15min Arquivo Pessoal
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