JULHO, OUTRA VEZ?
Era julho outra vez. O quintal, o pé de manga alcançando as alturas. Resignada a goiabeira curvava-se ante o maioral. O pé de maracujá arteiro escalou os dois. Foi-se embora rameando-se pelo meio das majestosas fruteiras. Sempre que se falava em manga e goiaba faceira Paulina dizia: ?-Na casa da vó Lourdes o pé de manga dá maracujá!? O tonel da bica, cheio às bordas de céu escuro. Um pouco menos ameaçador que o de lá de cima. Eduardo na ombreira da porta da cozinha conversava com mãe Lourdes enquanto os olhos corriam soltos visitando e matando a saudade de tudo o que havia pela frente. A carestia, tema principal da conversa vingou até que outros assuntos viriam à tona. Paulina, não mais queria ir pra creche. Chorava feito uma condenada, toda manhã a mesma ladainha. Já saía da cama chorando. Ter que tomar banho, o lanche matinal, escovar os dentes, vestir a farda, arrumar a bolsa, o martírio de todo dia. Ameaçou fugir um dia pra vir morar com a vó. Ainda bem que era julho, e assim ficaria um mês inteirinho na casa de vó Lourdes.
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Professor e escritor Fábio Campos publica mais um conto ? Julho, outra vez...
CulturaPor Fábio Campos 24/07/2016 - 01h 27min Reprodução Google
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