Carnaval e a ressaca

Geral

por Dr Fábio Cardoso (*)

Já que não tem como evitar, especialista nos diz como conviver com ela da melhor forma

Carnaval é sinônimo de alegria, festa e muito samba no pé. Há que se aproveitar essa festa e nem adianta dizer que os excessos serão evitados porque o brasileiro é um povo alegre e adora uma farra. O preço a ser pago é bem alto pois a diversão dura bem mais que um final de semana, a festa é sexta, sábado, domingo, segunda, terça e para os mais guerreiros, quarta também. E como ?sobreviver? a esta maratona de exageros alimentares, etílicos, regados à exercício físico (festar cansa) e privação de sono? Um treinamento militar às avessas, como nos explica Dr Fábio Cardoso especialista em medicina preventiva, longevidade, antienvelhecimento e esporte.

Dicas para reduzir o estrago existem, mas o que realmente funciona?

Afinal quarta-feira de cinzas a vida recomeça e por isso o Dr Fábio tenta criar os mandamentos para voltarmos do ?inferno bom? que é o Carnaval, passando o menor tempo possível no purgatório ? que é aquele cansaço, ressaca, baixa produtividade de todo folião ao final da festa. Mas vamos explicar primeiro a ressaca?

Segundo ele a ressaca comum inclui alguns dos ou todos os seguintes sintomas:

dor de cabeça
mal-estar
sensibilidade à luz
diarréia
perda de apetite
tremor
náusea
fadiga
aumento dos batimentos cardíacos e da pressão arterial
desidratação (boca seca, sede extrema e olhos ressecados)
problemas de concentração
ansiedade
dificuldade para dormir
fraqueza

Os sintomas mais comuns são a dor de cabeça, a fadiga e a desidratação, e o menos comum é o tremor.

A gravidade e o número de sintomas variam de pessoa para pessoa. Mas quanto mais beber, o ?estrago? será pior.

Geralmente precisamos ingerir de 5 a 7 doses, dentro do intervalo de 4 a 6 horas, para causar uma ressaca em uma pessoa que bebe pouco ou de forma moderada (um homem que beba até 3 doses de bebida alcoólica por dia ou uma mulher que tome até 1). Quem bebe acima disto, é capaz de ingerir uma quantidade maior de álcool devido a uma maior capacidade de metabolização.


Mas você pode piorar a situação. Além da quantidade de bebida consumida, a ressaca pode se tornar pior por:

beber com o estômago vazio;
falta de sono;
aumento da atividade física enquanto bebe (dançar, corer, pular);
desidratação antes de beber;
outras doenças que prejudicam a saúde;

A ressaca costuma tomar conta do corpo humano 8 a 16 horas após a ingestão exagerada de álcool.

A primeira razão é a desidratação. Quando se enche a cara, o cérebro secreta com menos eficiência a o hormônio antidiurético (ADH, na sigla em inglês), nos levando a urinar mais. 50 gramas de álcool nos fazem produzir 600 a 1000 ml de urina. Desidratados, continuamos bebendoálcool, um erro queinibe de vez a produção de ADH. Neste momento, passamos por distúrbios eletrolíticos(os minerais ? sódio, potássio, calico e magnésio - são perdidos junto com a urina).

E segundo pelos processos químicos que estão acontecendo no corpo durante a ressaca por culpa do tal etanol (vulgo álcool). Para ?botar pra fora o álcool é necessário quebrá-lo. E durante esse processo, algumas moléculas tóxicas são formadas. No fígado, uma enzima produz um componente chamado etanal. Também conhecido por acetaldeído, ele é tido como o vilão nº 1 da ressaca, já que em excesso causa aumento dos batimentos cardíacos, suores frios, náuseas e vômitos. Em outras palavras, o pacote completo das ressacas mais bravas.

Há ainda outros males que podem acometer um bebedor. A dor de cabeça, por exemplo, ocorre porque a rápida ingestão de álcool dilata os vasos sanguíneos, incluindo os que alimentam o cérebro, causando fluxo excessivo. Diarreias, por sua vez, podem ser causadas por desequilíbrios nos níveis de serotonina e histamina.

Em um estudo recente, no entanto, pesquisadores foram ainda mais longe. Eles convocaram pessoas para ficar sem comer ou se exercitar desde as quatro horas da tarde e começar a ingerir, às sete da noite, uma mistura de tequila com suco de laranja. Às onze, foram dormir.

No dia seguinte, os cientistas tiraram sangue dos voluntários e descobriram o seguinte: a bebida elevou os níveis de vários anticorpos. Em organismos saudáveis, que não têm agentes externos a combater, estes antígenos acabam causando náusea, tremores, diarreia e sintomas de gripe. Ou seja, nosso corpo combate o álcool como se fosse uma infecção.

A ressaca nos deixa também ?menos inteligentes?... pesquisadores da Universidade Keele, no Reino Unido. Eles descobriram que a ressaca atrapalha nossa memória (pior ainda a do trabalho) ? conhecimento de fácil acesso no seu cérebro, que te faz entender essa sentença do início ao fim). Aí fica mais difícil fazer algumas tarefas básicas, como contas mentais. Durante a ressaca o desempenho da memória de trabalho pior até 10%, e ainda ficamos mais lerdos: se você tem 20 anos, quando tem ressaca, seu tempo de reação parece com o de alguém de 40 anos?

Bem, chega de falar mal dela, porque é carnaval e ?excessos irão acontecer??. Como reduzir o sofrimento é o que o Dr Fábio nos ensina a seguir (não existe cura, cientificamente falando)? Vamos as dicas:

1- não consumir bebidas alcoólicas (como médico ele tinha que tentar?);

2- Alimentar-se antes de beber é a regra de ouro contra a ressaca. Estômago vazio não, nem antes, nem durante;

3- Vá de água antes, durante e, principalmente, depois da bebedeira. Antes de dormir, ingira bastante água. Essa tática ajuda seu organismo a metabolizar o álcool enquanto você descansa. Se acordar para fazer xixi, tome mais água. Além de hidratar seu corpo, ela ajuda a eliminar o álcool e livrar-se das toxinas. Outra dica é colocar gelo ou água no drinque para diluí-lo ou intercalar bebidas não-alcoólicas e alcoólicas.

4- Trocar a água por suco ou refrigerante também pode ( têm estudos que falam maravilhas dos refrigerantes sabor limão ?com explicação científica e tudo). Essas bebidas são ricas em carboidratos, que ajudam a repor energias;

5- Consuma alimentos leves para não estressar ainda mais o organismo (pobre em gorduras, rica em frutas, vegetais e líquidos). Inclua no cardápio os carboidratos complexos, como pão integral. O álcool aumenta a acidez e irrita a mucosa estomacal. Os alimentos secos e salgados desaceleram a produção de ácido. Deixe de lado molho branco, queijos amarelos alimentos muito condimentados e frituras;

6- Tome um polivitamínico e repositor mineral antes de beber e ao acordar;

7- Se a dor de cabeça estiver infernal, o Ibuprofeno pode ser o medicamento mais indicado;

8- Consuma ovos dia seguinte dá energia como qualquer outro alimento. Eles contêm grande quantidade de cisteína, substância que ataca o acetaldeído (a toxina que causa a ressaca) na glutationa esgotada no fígado. Portanto, os ovos podem ser uma ajuda em potencial para limpar as toxinas que sobram. Outra boa opção é brócolis;

9- Comer bananas na manhã seguinte supre os eletrólitos perdidos como qualquer alimento, mas também reabastece especificamente o potássio perdido pelo efeito diurético do álcool. Outros alimentos ricos em potássio como o kiwi ou bebidas esportivas (isotônicos) também funcionam;

10- O único remédio para uma ressaca é o tempo. Não importa o que um indivíduo faça, o organismo ainda vai ter que limpar todos os subprodutos tóxicos deixados da noite anterior.

11- Descanse, durma ( mesmo pequenas sonecas, de 30-40 min); o processo de cura melhora com você em repouso;

(*)Dr Fábio Cardoso Especialista em Clínica Médica, pelo MEC e Sociedade Brasileira de Medicina,Pós-graduado em Medicina do Esporte, pela FISICURSOS, vinculada à UNIVERSIDADE GAMA FILHO- Rio de Janeiro - RJ, Membro da National Athletics Training Association (NATA), Membro da American Association of Professional Ringside Physicians (AAPRP),Membro da Associação Brasileira de Medicina Anti-Envelhecimento.
Membro da Brazil-American Academy for Integrative & Regenerative Medicine, Médico vinculado à equipe de MMA - RFT Fight Company, com atletas em vários e eventos ( UFC, BELLATOR, JungleFight, Nitrix, Sparta, entre outros)e que presta consultoria Médica Esportiva individualizada.

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