Opinião: Matadouros Municipais

Opinião

por Luiz Antonio de Farias (Capiá)

Houve uma época em que na cidade de Olivença os serviços de abate dos animais de corte e o transporte das carnes eram executados de forma primitiva, sem os cuidados sanitários adequados no manuseio de um produto destinado ao consumo humano. Por outro lado, o antigo açougue não reunia, também, as características higiênicas necessárias para a comercialização desse artigo de origem animal, de considerável perecibilidade.

Com o passar do tempo foi construído um matadouro, se não no padrão ideal, mas com razoável qualidade, para levar a bom termo a finalidade para a qual foi destinado. Por sua vez o transporte, do matadouro para o mercado, passou a ser feito em caminhão-baú, em condições sanitárias aceitáveis. Na cidade foi edificado, inclusive, um moderno mercado dotado de instalações condizentes, para a comercialização das carnes. Todo esse processo era procedido sob a supervisão do Veterinário Dr. Benedito Vieira.

Inexplicavelmente ? sem ter conseguido apurar de que parte veio a condenação ? o matadouro de Olivença foi desativado sob a alegação de que ele não mais reunia as qualidades exigidas pelos órgãos de inspeção, para o devido funcionamento. O que me deixou pasmo é que em conversa com o Dr. Benedito fui informado de que as instalações do matadouro interditado eram melhores do que as do de Jacaré dos Homens, onde são abatidos os animais locais e os da vizinha cidade de Monteirópolis. Melhor até ? na opinião do profissional ? das condições do de Santana do Ipanema, para onde foram transferidos os animais para abate, oriundos de Olivença. Adiantou o profissional que o matadouro de Olivença estava carecendo apenas de algumas modificações para se adequar às circunstâncias preconizadas.

Agora pasmem! O abatedouro oliventino que estava precisando simplesmente de pequenas modificações foi totalmente demolido, restando atualmente apenas o terreno onde não há o menor sinal de que já houve alguma edificação naquele local.

Tudo isto sem contar que o abate dos animais longe do local da comercialização, além de majorar o preço final, por conta das despesas de transporte, pode alterar a condição sanitária do produto ? de consistência altamente perecível ? se a acomodação não for feita em veículo climatizado. Essas medidas intempestivas são tomadas e quem termina ?pagando o pato? é o pobre do consumidor.

Mas o pior poderá acontecer: o matadouro de Santana do Ipanema, para onde passaram a ser encaminhados os animais para abate, dos municípios circunvizinhos, está correndo o risco de interdição, por falta de condições, e os animais que antes eram para ali mandados, poderão ser transferidos para Palmeira dos Índios ou Delmiro Gouveia.

Resta saber a quem atribuir a responsabilidade? À ADEAL; à ANVISA; ao S.I.F.; aos governos municipais, estadual ou federal. Diante desses descalabros vale ser esclarecido porque se em Arapiraca e Palmeira dos Índios existem matadouros nos moldes recomendados, Santana do Ipanema ? a Rainha do Sertão ? deveria seguir o exemplo, até por conta de sua situação geográfica privilegiada.

Na minha modesta forma de ver, alguém tem que ?colocar a carapuça? e vir a público dar a satisfação que todos os contribuintes merecem. Afinal de contas eles, os contribuinte, são a parte mais importante deste processo, merecedores de mais atenção e respeito.

Isto é o que penso. Poderei estar errado.

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