Família Ferrageiro comemora os 81 anos de Bartolomeu Barros

Geral

Por José Malta Neto

?AO SUBIR A MONTANHA DE MINHA VELHICE CONTEMPLO O JARDIM DE MINHA JUVENTUDE?. Esse pensamento, de um autor desconhecido, é sempre reverenciado por um cidadão que no auge dos seus 81 anos demostra um amor muito grande pela vida. Com um sorriso aberto, um abraço sincero e uma palavra de estímulo nos lábios, Barbolomeu Barros é um exemplo a ser seguido.

Neste sábado (22), familiares e os colaboradores da ?CASA O FERRAGEIRO comemoraram a passagem de mais um ano de vida do empresário.

Inicialmente na loja, parabéns para você, bolo, refrigerantepara os participantes da comemoração e compartilhados com os clientes que adentravam aquele estabelecimento comercial.

A noite na Churrascaria Família Moreira às margens da rodovia AL-130 as famílias AQUINO BARROS e FERRAGEIRO brindaram a alegria da data com um jantar festivo.

BARTOLOMEU BARROS (BIOGRAFIA)
por Maria Cilene (*)

Diante de várias histórias de vida que já ouvi, uma me tocou profundamente. Desde quando tomei conhecimento deste exemplo histórico que o ser humano pode passar nesta face da terra, resolvi descrever sobre este ator principal. Pedi autorização do mesmo para relatar sua trajetória de vida. Vou falar a respeito do meu patrão que é popularmente conhecido na nossa região. Na realidade, todos nós que trabalhamos na empresa Nepomuceno & Barros Ltda (casa O Ferrageiro), em que ele é um dos sócios. Consideramos uma só família, onde a palavra patrão não cabe, mas sim ele é como um pai pra todos nós. Possui um coração bondoso e nos trata muito bem. O nome do ilustre é Bartolomeu Barros, homem distinto e respeitado pela sociedade, a quem eu tenho uma eterna admiração.

Bartolomeu de Oliveira Barros nasceu no dia 22 de outubro de 1930, na cidade de Brejão-PE, filho do casal José Ferreira de Barros e Alice Oliveira de Barros. Deste enlace matrimonial nasceram quatro filhos: João, Pedro, Bartolomeu e José. Alice era uma esposa dedicada, fiel, amável e muito carinhosa para com seus filhos. Carinho esse que era meramente recompensado pela ausência do pai. José Ferreira trabalhava muito com marceneiro para garantir o sustento da família. Gostava das festas noturnas e da diversão prazerosa com várias mulheres. Com isso aos poucos sua esposa envelhecia, agüentando tudo calada, escondendo-se por trás de uma máscara para que ninguém percebesse a dor que se instalava em seu coração.

As traições do seu esposo eram constantes. Em um determinado dia, José Ferreira foi embora de casa, com uma mulher mais nova, deixando pra trás sua família e tudo que construiu durante os quinze anos de convivência. A solidão e a decepção agora davam espaço ao sofrimento de Alice e seus filhos. Foram noites e noites sem conseguir dormir. Alice não sabia o que ia fazer para continuar a vida. Seus pensamentos tumultuados invadiam sua mente sem conseguir ao menos controlar. Desorientada, a única força que ainda tinha era a fé em Deus. Em suas orações a perguntava-lhe o que iria fazer para vestir, calçar e como conseguiria o alimento para seus filhos? Como poderia colocá-los numa escola, se a cada dia, o pouco de dinheiro que tinha, ia ficando mais escasso? Ao observar os meninos, conseguia ver no olhar de cada um o desespero e o medo de terem sido abandonados. Várias vezes não conseguia controlar as lágrimas, que por um instante levemente escorriam pelo seu rosto marcado pelo tempo. Todos nós temos uma cruz para carregar, mas Deus sabe até quando poderemos suportar. Como se fosse uma luz surgindo em meio à escuridão foi iluminando aos poucos o caminho que dava acesso à saída deste labirinto que se encontravam estas vidas. No entanto, Deus ouvindo as preces de Alice, colocou suas mãos santas sobre o garotinho Bartolomeu abençoando-o nesta fase tão difícil da vida. Ele foi o único a ser tocado por um dom especial. Com apenas nove anos de idade começou a trabalhar para ajudar sua mãe querida. O destino se encarregou de tirar-lhe a oportunidade de vivenciar sua infância para encarar de frente a responsabilidade de adulto. Sentia-se triste, por não ter tido direito a brinquedos, pois as condições financeiras não lhe permitiam, o que tinha que fazer era trabalhar.

O mundo acabara de abrir as portas para ele. Começou peregrinando pelas ruas vendendo objetos perfumados. Todos os dias ao raiar do sol, ele pegava o tabuleiro e percorria diversas cidades. Chegava a casa cansado, mas ao mesmo tempo muito contente, pois com a habilidade e o carisma que possuía, conseguia vender as mercadorias, regressando ao seu ar com uns trocados. Trabalhava incansavelmente debaixo de sol ou chuva, mas era recompensado com o alimento na mesa. As pessoas ficavam admiradas ao verem aquele menino de apenas nove anos de idade ser capaz de transmitir coragem e segurança para sua família. Quando completou 14 anos, já se sentia um verdadeiro adulto, responsável pelos seus atos. Era Independente, tinha seu próprio dinheiro para gozar da juventude que estava a sua espera. Durante esta etapa de adolescente, tocado espiritualmente pelo poder de Deus, sentiu em seu coração um chamado especial para ser padre. Pena que não seguiu sua vocação, pois não tinha recursos financeiros à altura. Anos depois resolveu mudar de cidade em busca dos seus sonhos. Seguindo seus irmãos João e Pedro, escolheu Santana do Ipanema como sua nova terra. Foi recebido de braços abertos pelos santanenses e mais tarde já estabelecido trouxe também para esta cidade sua mãe e seus outros irmãos.

Com seu jeito simples, conseguiu conquistar as pessoas. Gozando seus quinze anos de idade, era um jovem bonito, corpo bem definido e rosto com traços fortes. Muito paquerado pelas garotas, gostava de corresponder às atenções que lhe eram destinadas. Como um eterno apaixonado da música romântica, viajava através dos pensamentos no mundo das canções que falavam de amor. De sua preferência ficava altas horas ouvindo as canções do cantor Nelson Gonçalves, fazendo assim, recordar das coisas que viveu no passado, pois a letra tocava profundamente em sua alma. Mas a música que mais marcou mesmo a sua vida foi ?Laura? de Altemar Dutra.

Bartolomeu sentiu uma forte paixão por uma mulher mais velha que ele, que no momento era sua vizinha. Ela tinha 38 anos, viúva e linda. Era do tipo inesquecível, atraente e charmosa. Encantos que logo foram admirados por ele. Foi amor à primeira vista, que aconteceu quando menos esperava. Ele insistiu, investiu na conquista, mas não deu certo, pois ela o achava novo demais. A diferença de idade era de dezesseis anos, isso fazia com que ela pensasse que não era conveniente a relação. Ele ficou triste com a decisão dela, mas aceitou mesmo contra sua vontade.

A vida profissional de Bartolomeu Barros teve inicio graças às amizades bem cultivadas e enraizadas. Foi através de um amigo que gentilmente deu boas informações a seu respeito para o senhor Manoel Nepomuceno, mas conhecido como ?Nezinho? que ele conseguiu ingressar na casa o Ferrageiro, em 1945. De inicio fez um teste e foi aprovado. Como já era de costume, o novato na empresa cuidava da limpeza. Trabalho árduo, mas que não se comparava com o que já havia vivido. Com a energia disponível que tinha, encarou numa boa esta tarefa. Muito otimista, confiante em si próprio desempenhou bem sua missão. Aos poucos, conquistando a confiança do dono da loja e com a facilidade que tinha de aprender, foi nomeado ao cargo de vendedor. Foi por trás do balcão que sua habilidade de lidar com o público deu inicio a sua história comercial. Muito ágil, capaz de exercer sua profissão com responsabilidade, dedicação e amor, recebeu inúmeros elogios. Os meses foram passando, ele resolveu juntar o que ganhava como comissão pelas vendas e a custa de muitos esforços conseguiu concluir os estudos no Grupo Escolar Padre Francisco Correia. Depois fez um curso de Integração Tributária e Administrativo realizado em 1977, promovido por várias entidades de Santana do Ipanema. Participou do seminário de Organização Empresarial no ano de 1979, promovido pelo SENAC. Aprofundou-se mais nos estudos sobre o ramo comercial, que era o seu forte, concluindo o curso de comercio com duração de dois anos, onde aprendeu com perfeição redigir cartas e textos comerciais. Bartolomeu sabia o que queria correndo atrás de seus objetivos. Dono de um espírito aventureiro, mesmo com as tarefas que tinha de realizar durante o dia, o agito total que era sua vida, havia espaço para juntamente com seus amigos Dr. Adelson Isaac de Miranda e José de Souza Pinto, - Juca alfaiate - curtiam pra valer as festas. Onde tivesse um barzinho, torresmo e cerveja a farra já estava garantida com os três mosqueteiros, pois o Juquinha adorava cantar. Não se separava do seu violão e o repertório romântico. Era um seresteiro da noite com sua voz eloqüente. Infelizmente, os seus dois amigos hoje estão na eternidade, fica então a saudade dos velhos tempos. Mas a vida continua. Bartolomeu usando e abusando de sua inteligência, após concluir vários cursos que foram passos crescentes em seu currículo, foi promovido ao cargo de gerente da loja. Ao subir mais este degrau da sua carreira profissional foi destacado pelo dinamismo desempenhado. Com o passar dos anos adquiriu conhecimentos fundamentais sobre a função administrativa. Isso fez dele o braço direito do dono da loja. Seu Nezinho tinha plena confiança na sua capacidade de administrar todos os setores da empresa. Deu pra perceber que o sangue de negociante corria nas veias de Bartolomeu. Após alguns tempos seu Nezinho ficou muito doente, desenganado pelos médicos, ele tinha pouco tempo de vida. Decidiu então, vender a loja para Bartolomeu, pois o mesmo sabia que nas mãos dele, daria continuidade ao negócio.

No momento o recurso que ele tinha disponível não dava pra comprar o ponto comercial. A solução prevista era arrumar alguém que entendesse sobre o negócio e que tivesse disposto a fazer uma sociedade. Então, seu Nezinho indicou o seu sobrinho Jugurta Nepomuceno, que no momento não estava trabalhando, mas que tinha certo capital reservado. Bartolomeu aceitou e aprovou a decisão do dono. Devido à amizade que ambos conservavam há anos entraram em acordo e juntos compartilharam deste momento único em 1953, iniciando assim a sociedade Nepomuceno & Barros Ltda. Seu Manoel Nepomuceno afastou-se do mundo comercial para cuidar da saúde, contudo o tratamento foi em vão, um ano depois veio a falecer. Foi uma grande tristeza, pois a cidade perdeu sem dúvida nenhuma, um homem íntegro e respeitado, deixando para nós a história de fundador do Ferrageiro como exemplo, marcando aqui a sua passagem na terra.

Por conseguinte, Jurguta e Bartolomeu tocaram em frente o negócio com coragem e determinação. Um novo mundo estava à espera deles, cheio de realizações, esperança e sucesso. Foi neste mundo comercial que Bartolomeu conheceu Iraci Aquino, filha de um fazendeiro bem sucedido na região, uma moça simples, com traços fortes e atitudes marcantes, freqüentava muito a loja, pois era cliente, isso chamava atenção de Bartolomeu a cada dia. Ele tentava se aproximar dela, no entanto, ela com sua timidez recuava. Em um belo dia Bartolomeu foi assistir a uma partida de voleibol no campinho que tinha por trás da Prefeitura Municipal e quando olhou em sua volta, lá estava Iraci. Ele aproximou-se, puxou conversa e começaram a namorar.

Depois de certo tempo de namoro, casaram-se, juntos construíram uma família constituída por seis filhos: César, Hiran, Rita, Francisco, Rosa Alice e Vitória.

Predominando a honestidade e o jeito de saber liderar, Bartolomeu ganhou inúmeros elogios. A pedido de um amigo ingressou na Maçonaria em 1956. Foi brilhantemente reconhecido por seu comportamento de fidelidade ao mérito recebendo vários títulos e diplomas. Suas atitudes realçadas pelo seu lado humanitário fez dele presidente das seguintes entidades: Tênis Clube Santanense durante quatro anos; Associação São Vicente de Paula desta cidade, seis anos e da Maçonaria durante oito anos.

Em 12 de agosto de 1986, exatamente no dia do aniversario do neto chamado César, Bartolomeu ficou muito triste com a perda de sua mãe ? Alice Oliveira Barros, a quem ele dedicou sincero amor e carinho. Após oito meses deste acontecimento, ele recebeu a notícia que seu pai havia falecido, coincidência ou não, ou coisa do além que não sabemos como explicar, no dia 27 de abril de 1987, data em que é comemorado o aniversário da neta Rosa Alice.
Hoje desfrutando dos seus setenta e oito anos de idade, se sente muito feliz e realizado por tudo que conseguiu construir ao longo dos anos, eternamente grato pelas dádivas que Deus lhe concedeu, sendo simples, humilde e honesto, sente-se honrado pela vida que tem e realizado por ver seus filhos bem sucedidos, os quais foram criados em um ambiente acolhedor e harmonioso, educados conforme a antiga tradição. Como pai orientou-os mostrando o caminho certo. Dois deles, César e Francisco, seguem os passos do pai dentro da empresa.

Seu esporte preferido é caminhada. Gosta muito de conservar as amizades, fazer os outros felizes, presentear, fazer caridade e viajar, pois o mundo é uma grande escola e viajando se aprende muito as regras do bom viver. Adora ser útil para as outras pessoas. Fazer o bem sem olhara quem é prioridade em sua vida. Recebeu a medalha de Grande Reconhecimento Maçônico registrando os 50 anos de Maçonaria no dia 05 de junho de 2006. Recebeu também o certificado de Profissional do Ano, conseguindo o primeiro lugar na opinião pública em pesquisa realizada nesta cidade em 2007 pelo Instituto Milenium, prêmio dedicado à Casa o Ferrageiro e funcionários. Sucesso esse que é meramente agradecido aos clientes que nos visita.

Este ano, a loja completou 85 anos de história tradicional. Sinto-me feliz por fazer parte desta empresa que todos elogiam. Vejo com clareza o poder de Deus agir desde o início. Seu Bartolomeu soube enfrentar os obstáculos que a vida colocou em seu caminho, saindo vitorioso. Nada o intimidou. Com a força interior e o coração cheio de esperança, acreditou e correu atrás dos seus sonhos. Demonstrando humildade, honestidade, conseguiu chegar ao ponto mais alto que um ser humano pode ir. Saber lidar com os problemas é uma forma de viver intensamente cada instante. ?AO SUBIR A MONTANHA DE MINHA VELHICE CONTEMPLO O JARDIM DE MINHA JUVENTUDE?. Esse pensamento, de um autor desconhecido, é sempre reverenciado pelo nosso homenageado.

* Maria Cilene é funcionária da empresa Casa O Ferrageiro e publicou esse texto no Livro À Sombra do Juazeiro, uma coletânia do Portal Maltanet.

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