Alagoas não está preparada para legalização da maconha, diz presidente do Fórum contra as drogas

Geral

por Emanuelle Oliveira - www.cadaminuto.com.br

Publicitário alagoano discorda e diz que legalização acabaria com tráfico>/b>

A descriminalização da maconha ou marijuana ? folhas da planta Cannabis - tem sido discutida em todo Brasil, principalmente depois que países da América Latina, como Argentina e México adotaram uma postura mais flexível a respeito da lei contra entorpecentes, distinguindo o consumidor do traficante e autorizando o uso pessoal da droga. 

No Rio de Janeiro o ministro do meio ambiente, Carlos Minc participou de uma Marcha á favor da maconha e durante um show de reggae em Goiás defendeu a descriminalização, para que os usuários tenham mais segurança, inclusive para procurar tratamento. Ele foi acusado pelo deputado Laerte Bessa (PMDB-DF) de fazer apologia à droga, embora tenha argumentado que não defende o consumo da maconha.

Enquanto a legalização está diretamente relacionada às leis de consumo, a descriminalização se refere a um comportamento individual, que atinge o social, motivo que levou Estados americanos a não aplicar punições aos usuários e sim, promover programas de prevenção e educação, considerando que por ano cerca de 600.000 pessoas são detidas e processadas por posse de maconha, na maioria jovens que não haviam cometido nenhum outro crime.

Em Alagoas o Fórum permanente de combate ás drogas tem realizado palestras para conscientizar a população dos males causados pelo uso da maconha - que segundo especialistas pode trazer danos à memória e viciar - com a justificativa de que o Brasil e principalmente o Estado não estão prontos para que drogas, além do tabaco e do álcool, sejam legalizadas.

Segundo a presidente do Fórum, Noélia Costa os efeitos da maconha são tão maléficos quanto os do álcool e não há, em temos de educação, estrutura para que os usuários sejam recuperados, caso percam o controle. Ela destacou que o objetivo do Fórum não é banir a droga e sim, educar as pessoas para que não usem. ?Se uma pessoa tem algum tipo de compulsão, como por comida, facilmente ficará viciada se usar maconha. Ela é a porta de entrada para drogas mais pesadas?.

?Alagoas não está preparada para isso. A legalização da maconha poderia acabar com o tráfico, mas o problema seria como as escolas que detectassem que um adolescente é usuário, iriam trabalhar essa pessoa, porque não existe ensino em tempo integral e ainda temos grandes problemas com desemprego e distribuição de renda. Vamos a faculdades, lançar o projeto guerreiros no combate ás drogas, para formar multiplicadores, plantando a semente e criando uma irmandade?, explicou Noélia.

O publicitário alagoano Maximilla Barroso, que atualmente mora em Montevidéu, no Uruguai, onde ele diz ser comum o uso da maconha, acredita que a não legalização estimula a curiosidade dos adolescentes e contribui para a existência do tráfico. Ele destacou que ?se a desculpa para proibir o uso é a preocupação com a saúde da sociedade, o tabaco é mais prejudicial e contém toxinas que aumentam a chance de uma pessoa se tornar viciada?.

?Sou a favor do livre arbítrio. A pessoa deve ser livre para fazer o que quiser, desde que não interfira na vida do outro. Imagino que seria viável a venda de cigarros de maconha legalizados e fiscalizados por algum órgão regulador de substâncias. As pessoas que são contra não passam de hipócritas e com certeza fumam tabaco enquanto bebem uísque. Elas acreditam que a proibição vai fazer com que ninguém fume, mas todos os dias a policia apreende quantidades cada vez maiores de maconha?, destacou Barroso.

Ele afirmou ainda, que a legalização não acontece devido a interesses econômicos, pois o consumo do álcool e do cigarro é liberado devido à quantidade de impostos que grandes corporações pagam ao governo. ?As pessoas poderiam plantar e consumir tranquilamente. Se fosse vendido legalmente o trafico não teria sentido. Ninguém é traficante de cerveja, cachaça ou tabaco?, ressaltou o publicitário.

O usuário L.C.B. que tem 48 anos, contou que começou a fumar maconha aos 11 anos, após encontrar a droga nas coisas de um dos irmãos. Ele convidou seus amigos para provar, além de ter experimentado outras drogas. ?Minha vida foi tumultuada, provei cocaína e pra mim a maconha é a menos nociva. Não bebo e estou tentando parar de fumar, mas não deixarei de usar maconha. Para mim não existe droga pior do que o álcool, que destrói famílias e acaba com a vida das pessoas. Ele deveria se proibido?, afirmou. 

Ele disse ainda, que prefere consumir a maconha em sua forma natural, ao invés da prensada, que é misturada a algumas substâncias. ?Fumo praticamente todos os dias e consigo ficar relaxado. Ela é tranqüilizante e a pessoa não vira um monstro, como quando consome o crack. Gosto da cultura da maconha e gostaria de poder comprar direto do agricultor?, revelou.

Para L.C.B. a legalização não acontece devido a pressões políticas, já que antes as fibras da planta eram usadas para a manufatura de fios e roupas e os Norte-americanos quiseram impor o poliéster e passaram a mostrar a maconha como algo ruim.

Maconha para fins medicinais
Em cidades norte-americanas e no Canadá o consumo da maconha é autorizado por lei para fins medicinais. Em São Francisco no Love Shack os clientes podem consumir chá, pastéis e cigarros feitos à base de maconha. Esse é um dos mais de trinta clubes de maconha medicinal da Califórnia. 

São cerca de cem pacientes e a Cannabis é oferecida em dez apresentações, com preços que variam de US$ 15 o grama até US$ 328 por 28 gramas. Para ter acesso a esses clubes e evitar uma prisão por porte de droga, é necessário um cartão de identificação do Departamento de Saúde Pública, que exige, entre outros requisitos, um histórico médico e uma prescrição para o consumo.

A maconha, cujo agente ativo é o tetrahidrocannabinol (THC), alivia as náuseas e dores provocadas por tratamentos contra o câncer e a aids e também serve para tratar glaucomas e amenizar dores da artrite e a esclerose múltipla.

Comentários