ZÉ CHAGAS – UM HOMEM CRIATIVO

Crônicas

Por Clerisvaldo B. Chagas

Foto Acervo do Portyal Maltanet. Publicada no livro do saudoso Bartoolomeu Barros, Vida Boa (SWA Instituto Editora, 2014)

Já falei sobre esse assunto.

Para não cansar o leitor contarei apenas três passagens engraçadas do saudoso primo Zé Chagas, muito trabalhador e muito espirituoso santanense.

Primeira: Certa feita estávamos na loja de tecidos do meu pai, quando chegou uma cartomante bastante conhecida na cidade, chamada Maria Galega; indagou aos presentes se queriam saber o futuro. E olhando para o “primo véi”, disse, “vou deitar as cartas para você”. Ajeitou o baralho e disse de primeira: “Estou vendo ouro na sua vida”, o primo gaiato respondeu de pronto: “Só se for ourina, Maria”

Segunda: No sertão temos o pássaro anu-branco e anu-preto. Aliás, não sendo fácil atirar de espingarda ou peteca (baladeira, estilingue, assim conhecida em outras regiões) e matar um anu que pula muito quando estar sendo alvo, foi criado o ditado sertanejo: “Quem tem pólvora pouca não atirar em anum”. Pois bem, Zé Chagas, ao passar pelo comércio em hora de não expediente, encontravam-se sentados no batente da loja, dois homens pretos bastante conhecidos: Filemon e Zé Preto.

Zé Chagas, do tirocínio aguçado, assim que os avistou, falou para seu acompanhante, apontando para os dois: “Pia! (espia) onde tem um casal de anum preto!

Terceira: Zé Chagas tinha uma casa de jogo à rua Tertuliano Nepomuceno, chamada “Bafo da Onça”. Defronte, do outro lado da rua, havia uma funerária. O dono da funerária, então, pediu a Zé Chagas que ficasse tomando conta do estabelecimento enquanto ele iria resolver um problema e logo retornaria. Zé Chagas aceitou a incumbência, mas pediu os preços dos caixões de defuntos, poderia chegar alguém querendo comprar. Ora, logo, logo, chegaram dois homens, pai e filho. Havia morrido uma senhora, mãe de um e esposa do outro. O viúvo olhou o mostruário, escolheu um caixão e indagou quanto custava aquele. Zé Chagas deu o preço. O cidadão perguntou se ele não daria um abatimento. Mas a gaiatice de Zé Chagas, não perdoava nem a morte! Disse para o homem: “Se o senhor levar dois caixões, eu faço menos”. Não levou uma sova de pai e filho por exclusiva sorte.

E assim, havia mais dois na cidade, semelhantes no raciocínio rápido e piadas instantâneas; Expedito Sobreira e Costinha.

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