BOATE MANDACARU

Crônicas

Remi Bastos

Bons tempos aqueles da Boate Mandacaru na lagoa do Junco. Dr. Aderval Tenório um grande boêmio e apreciador das lindas mulheres foi o fundador desta boate em um pequeno espaço de uma de suas propriedades, nas proximidades de Santana do Ipanema. O prédio depois de construído contendo um bar, três quartinhos para o laser e um pequeno dancing, foi entregue a Guiomar e Alípio para administrarem aquele ambiente colorido. Outubro de 1961, às 18h30min, estou na Sorveteria Pinguim, atualmente Toca do Pato, ouvindo Ialdo Falcão tocar na radiola os sucessos mexicanos de Miguel Aceves Mejia, tais como: Cucurrucu Paloma, Malaguenã, Celito Lindo, Tu Solo Tu, etc., quando de repente aparece o Nego Ângelo pilotando o Jeep do professor Neco e me faz o seguinte convite – “vamos ali na Boate Mandacaru”? Aceitei o convite e logo estaríamos naquele recanto sacrossanto da perdição. Estacionou o Jeep, se dirigiu ao bar na entrada da boate, e em seguida perguntou – D. Guiomar cadê aquela menina de Águas Belas que estava ontem aqui bebendo com Seu Jonas Pacífico e Genival Tenório? Guiomar perguntou – e o que vocês dois vieram fazer aqui? – Nego Ângelo respondeu – eu vim picar. Tem dinheiro? Nego Ângelo mostrou um maço de cédulas de 10, 20 e 30 Cruzeiros. Até pensei e disse comigo mesmo – “esse fi da peste afubiou o cofre do velho”. Está bem, disse Guiomar, ela está no quarto 01. O Nego seguiu para o quarto, enquanto eu fiquei no pátio da boate imaginando a cena. Dez minutos depois lá vem Ângelo todo faceiro, penteando a cabelo. Perguntei-lhe, quanto pagou à cabocla? Trezentos Cruzeiros, respondeu. Viemos embora. No Dia seguinte eu pedi um trocado ao meu velho, somei com umas moedas que eu vinha juntando numa embalagem de talco Eucalol, e por sorte minha consegui os Trezentos Cruzeiros. Às 18 horas parti para a Boate Mandacaru num fôlego só, três quilômetros. Ao chegar cansado e ofegante, Guiomar a me ver, assustada, me perguntou – o que houve meu filho, algum acidente? Eu disse não. Cadê aquela índia que ficou ontem com o filho de Seu Antônio Bulhões? Está lá no quarto 01. Cheguei ao quarto bati na porta e logo aquela deusa me atendeu. Já sei veio fazer coisa boa, não foi? Com a voz embargada, respondi foi. Quanto tem em dinheiro, eu disse Trezentos Cruzeiros. Ela insinuou, só vou por quatrocentos. – Faça isso não, é a minha primeira vez. Está bem, tire a sua roupa enquanto eu tiro a minha. Fui mais rápido e fiquei contemplando aquela formosura. Nunca tinha visto uma mulher nua. Vendo o meu estado ela falou, venha logo se cuidar. Não gastei três minutos. Paguei o valor cobrado, vesti a roupa e na velocidade do raio parti para casa, indo me valer no banheiro. Ainda hoje me lembro da Boate Mandacaru e daquela cabocla com seus 19 anos, ingênua como eu, mas, que construiu uma cena que jamais será apagada das minhas lembranças.

Aracaju, 10.09.2016.

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