Certamente que este envelope conteve uma carta com mais de quatro folhas de papel. Foi escrita e endereçada a mim pelo saudoso amigo Reginaldo Falcão na época em que se transferiu para Maceió, a fim de dar prosseguimento aos estudos, e também, se afastar dos amigos que compartilhavam com ele das Serras Grandes, das Pitus e das Mucuris. Aconteceu que logo após a partida de Reginaldo, eu, Mindinho, Motorzinho e Terezão, tivemos que aumentar o nosso consumo, justamente, para compensar a sobra do amigo. Vez por outra nos encontrávamos nos bares e botecos de Santana e o assunto era sempre o mesmo, Reginaldo. Certa vez estávamos tomando umas no antigo bar de Josa Pinto por trás do posto de gasolina situado em frente à igreja Sagrada Família, quando o velho professor Bodega me disse: “Remi estou achando que o Nego Reginaldo não vai aguentar muito tempo ausente de Santana e da namorada”. Sorrindo eu lhe respondi: “Eu também acho Mindinho, o Nego é apaixonado por Lurdinha”. Ao que o professor Mindinho completou: “Paixões divididas”.
Logo depois chegou o carnaval. No segundo dia de folia, o Bloco Pau D’arco entrou na casa dos pais de Reginaldo, e na sala de estar onde havia um quadro com a foto de Reginaldo, fizemos uma parada, cantando a marchinha, “Troquei meu pé de cana por uma garrafa de Pitu”. Daí a pouco estava todo mundo chorando, inclusive o neguinho de criação, Pelé.
Passado a festa de Momo respondi a carta de Reginaldo contendo umas dez páginas, contando sobre o carnaval, as nossas farras, quem havia ficado bêbado, desenho de Sílvio de Jandira caído na porta da bodega de Terezão e Motorzinho tomando uma de Mucuri com sardinha no balcão da bodega do amigo e compadre Terezão. Tudo isso e algo mais foram suficientes para que dias depois, Reginaldo retornasse a Santana para tomar conta da boutique de D. Mirtes em uma das salas do térreo do sobrado de Maria Sabão. Aí foi que a cana cantou direitinho.
Atualmente já não temos mais a satisfação e felicidade das companhias de Reginaldo Falcão e Gevaldo Vilela (Terezão), ambos falecidos. Mindinho vive na Fazenda Cachoeirinha em Maravilha/AL, apenas casualmente nos encontramos para relembrarmos as nossas brincadeiras, Motorzinho se converteu a Jesus, reside em São Paulo, onde é Pastor Evangélico, e, eu (Remi Bastos), aposentado recentemente, procuro dividir o meu tempo em escrever poesias, poemas e histórias engraçadas da nossa juventude, e de vez em quando viajar a Santana para readquirir energias e calibrar os nervos, pois, também sou humano e tenho um coração.
Aracaju, 09.08.2016.
UMA CARTA, UM AMIGO E MUITAS HISTÓRIAS
CrônicasRemi Bastos 10/08/2016 - 15h 01min
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