PAÍS DAS MARAVILHAS

Crônicas

Por Luiz Antonio de Farias, capíá

Jamais pensei que depois de idoso (ou ancião como diz o Edivan, em tom de blague), beirando os 72 anos, tivesse que deixar o Brasil e, principalmente, minha querida e eterna Santana do Ipanema.
Torna-se difícil viver em um país onde a assistência à saúde está aos frangalhos, a educação sucateada, a segurança insegura, a inflação galopante, o FIES tirando o sossego dos estudantes carentes, os juros atingindo índices estratosféricos e a corrupção campeando em todos os segmentos da sociedade. Viver onde, em tempos de outrora, figurões da política e do empresariado eram tratados como uns verdadeiros “deuses pequeninos” e hoje não passam de cafajestes, bandidos, que surrupiaram criminosamente os recursos deste país em benefícios próprios, deixando órfãos de assistência os mais necessitados, os desassistidos e os carentes de amparo.
Torna-se difícil viver em um país onde tentam desqualificar o Ministério Público, a Polícia Federal, a imprensa de um modo geral, somente porque eles estão querendo “passar a limpo” o país. Onde os políticos e empresários presos sob suspeita de corrupção são tidos como injustiçados e a divulgação dos fatos não passam de invencionices da oposição e fantasia da imprensa.
Torna-se difícil viver em um país em que, há pouco tempo atrás, tornava-se um exercício de paciência trafegar do trecho Recife/Ipojuca, entre as 05 e 07 horas da manhã, por conta das centenas de ônibus conduzindo milhares de trabalhadores para as obras de SUAPE (leia-se Refinaria Abreu e Lima e outros importantes empreendimentos) e, atualmente, só vemos alguns “gatos pingados”, conduzindo uns poucos operários, para movimentar o pouco que restou. Hoje sobrou apenas a saudosa lembrança e uma “revoada” de desempregados, sem ter onde aterrissar, ou melhor, sem ter onde cair mortos, pra ser mais preciso.
Mas nem tudo está perdido. Já estou de malas prontas para desembarcar em um país (das maravilhas) governado por uma senhora (acho que é a Alice), que diariamente mostra a cara (meio cínica) na televisão para propagandear a situação privilegiada em que se encontra a nação por ela governada (ou desgovernada?). Na opinião dela a inflação está sob controle, a economia está indo “de vento em popa”, o FIES está funcionando a “todo vapor” (Brasil, Pátria Educadora) e as estatísticas negativas são pura invenção da imprensa e da oposição. Este é o país que tanto sonhei para deixar para meus pósteros.
A única dificuldade que estou sentindo é que não estou conseguindo a quantidade suficiente de óleo de peroba para envernizar tanta “cara de pau”.
Entretanto, se eu não conseguir passaporte para chegar lá, “vou embora pra Pasárgada (com a aquiescência de Manoel Bandeira). Lá eu sou amigo do rei”.

Recife, agosto/2015

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