Durante a última década, como representante da Universidade Federal de Alagoas, integrei o Conselho Consultivo de Transportes da Prefeitura Municipal de Maceió, posto deixando há pouco mais de doze meses. Enquanto ali estive, tive por companheiros, profissionais da melhor qualidade, cada um sendo a voz oficial dos diversos organismos que compõem a sociedade civil organizada. Recordo que, durante todo aquele período, pouquíssimas – senão nenhuma – foram as oportunidades em que votei pelo aumento das tarifas dos ônibus em nossa capital. Menos por não achar que o incremento seria necessário à saúde financeira das empresas, e mais pela certeza de que os estudos estatísticos apresentados pelos dirigentes do poder concedente, durante as reuniões definidoras ocorridas, não possuíam o embasamento científico que eu, como docente da disciplina Transportes Públicos para alunos do Centro de Tecnologia da UFAL, desejava tecnicamente vislumbrar.
Hoje, reitero, não mais integro aquele colendo Colégio. Contudo, tenho acompanhado pela imprensa que a população, descontente com o resultado da reunião, ameaça ir às ruas e avenidas da cidade, demonstrar sua insatisfação. Mesmo tendo, em minha infância e juventude convivido com o arbítrio da revolução, sempre tive certeza de as manifestações populares serem democráticas, legítimas e necessárias. Trago em mente que o país precisa de um povo atuante cobrando dos políticos postura ética que imponha à sociedade uma autorregulação capaz de melhorá-la, levando-a a patamares, digamos, mais civilizados.
Nos últimos anos, sempre que se anunciou aumento nas passagens dos ônibus em nossa capital, o clichê se repete. Pneus queimados, interrompendo o trânsito e prejudicando a população como um todo, além de palavras de ordem quase sempre repetidas por jovens de todas as idades seguidores das mesmas lideranças.
O que me estarrece, contudo, é este mesmo grupo se calar ante os aumentos das contas de luz, combustível, IOF, IPTU, Pis, Cofins e CIDE. Talvez porque muitos deles não saibam interpretar as siglas, e nem de longe imaginem que, ao final de tudo, eles próprios é que pagarão as contas. Preocupo-me pois, sempre que se anuncia aumento nas tarifas de ônibus, as massas se moverem, embora permaneçam estáticas ante o incremento dos índices de criminalidade, decréscimo no nível de escolaridade, falta de assistência médica e tantos outros itens que dilaceram uma sociedade, a médio e longo prazo. O que me causa espécie, é constatar como o povo é imediatista, buscando jogar nos empresários das empresas de ônibus todas as suas mágoas advindas das penúrias com as quais convive. Repito: enquanto integrei o Conselho Consultivo de Transportes de Maceió, pouquíssimas – senão nenhuma – foram as oportunidades em que votei pelo aumento das tarifas dos ônibus em nossa capital.
Estou convencido, contudo, ser fundamental compreendermos o quanto a sociedade é complexa e quão complexos são seus movimentos. Há de tudo, no todo, mas nos cabe valorizarmos o que nos leva ao progresso para coibirmos o que nos faz regredir.
(*)Membro das Academias Maceioense e Alagoana de Letras e do IHGAL
MAIS UM AUMENTO NAS TARIFAS DE ÔNIBUS...
ContosPor Alberto Rostand Lanverly (*) 04/02/2015 - 22h 00min
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