O povo brasileiro, na quase totalidade, vivencia uma forte dependência da vontade dos gerentes de seus destinos. A explicação desta calamidade seria a inexistência de iniciativas próprias, gerando modificações que melhorem o amanhã da coletividade.
No Brasil, uma grande parcela da população, principalmente por falta de conhecimento ou excesso de acomodação, não se esforça para possuir, por menores que sejam, outras ideias senão as que lhes são impostas. Até nas capitais, sem falar nas cidades menos desenvolvidas, as autoridades, principalmente as detentoras de status efêmeros, ditam regras e também o que os outros pensantes, sob suas influências, devem fazer em todos os campos de atividades.
Aos poucos, os milhares de filhos da pátria se vão transformando em insumos da perpetuação de seus algozes no poder, e aos, poucos, sem sequer notar, são empurrados para o pior dos finais: a falta de vontade e a abdicação. Esta renúncia representa, também, o funeral da cultura e, sem ela, jamais, em tempo algum, teremos um país vivo.
Sem duvidas, a mais importante noticia do verão alagoano, é que já se encontra disponibilizada, verba especifica para construção de um moderno Centro de Convenções no município da Barra de São Miguel. A informação não somente encheu meu coração de cores jubilosas, como minha mente fertilizou-se com a ideia de que, a chegada de uma obra deste porte oferecerá, a toda a região, condições para que ali sejam realizados grandes eventos, técnicos, científicos e culturais.
Dizem que, durante o verão até os deuses vikings, Odin e Thor, escolhem a Barra de São Miguel para descansar enquanto se deliciam com a mais bela das paisagens, o mais caliente dos mares e o mais estrelado dos céus. Infelizmente nos restantes nove meses do ano, a realidade é bem diferente. É sabido, que alí somente permanecem os nativos, convivendo com uma cidade escura e abandonada, quase sempre acalentada pelo vento frio que só serve para balançar os gravetos, fazendo-os flutuarem pelas ruas, quase como fantasmas.
A chegada do Centro de Convenções fortalecerá o turismo de eventos, na baixa estação, fato que revitalizará a sobrevivência dos hotéis, pousadas e restaurantes, além do comércio, em geral, cujos mentores teimam em permanecer funcionando, apesar de todas as dificuldades. Além do mais, com certeza novos investidores aportarão à região, encorajados pelo sopro do desenvolvimento cultural. Centenas de postos de trabalho serão gerados e seus ocupantes, aos poucos, aprenderão a pensar por si, e, assim, de forma mais democrática, influenciarão a existência de um Brasil melhor, com menos roubo, mais decência, menos corrupção e mais sabedoria.
Em países desenvolvidos, a cultura não se adquire, respira-se. Em Alagoas, contudo, uma iniciativa como a de edificar um Centro de Convenções na Barra de São Miguel é a semente para a modificação de comportamento de um povo. Ninguém pode ambicionar o que lhe foi negado desde o nascimento, o que lhe é estranho. Só esperamos que a construção deste polo do saber e da cultura não seja tão confuso e demorado como a implantação do saneamento na cidade, que se arrasta por décadas, sem nunca começar a funcionar...
CULTURA: NINGUÉM AMBICIONA O QUE DESCONHECE...
CrônicasPor Alberto Rostand Lanverly 07/01/2015 - 09h 47min
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