Outro dia fui passear com Arthur, meu neto. O sol se despedira há pouco, abrindo espaço para milhares de estrelas que enfeitavam o céu enquanto, aqui na terra, as luzes de Natal brilhavam de forma não menos colorida, emprestando às fachadas dos prédios, postes, praças e jardins, e até às pessoas, circulando em meu caminho, um singelo toque de beleza, ensejador de paz.
Sentamos próximo a uma grande árvore, muito iluminada com luzinhas made in china, historicamente símbolos da época ora vivida. Ali ficamos a admirar os movimentos de dezenas de crianças, cujos rostos encharcados do vermelho, azul e verde, provenientes dos enfeites próximos, corriam de um lado para o outro, sorriam e gritavam deixando transparecer felicidade.
Foi quando meu neto, baseado na “sólida experiência” amealhada em seus cinco anos de vida e cada dia mais fortalecida no contato com Ipad, Iphone e variados programas de televisão, me perguntou: - Vovô Rock, Papai Noel existe mesmo?
Enquanto um sorriso aflorava de meu coração, respondi-lhe: Papai Noel existe, sim. Ele lê as cartas que lhe chegam, compra os presentes, colocando-os em um enorme saco e sai mundo afora distribuído-os para cada criança. Antigamente, descia pelas chaminés das casas, mas hoje entra pelas janelas dos apartamentos, deixando o pacote debaixo da cama ou da árvore de Natal. Após minha resposta, enquanto as cores da noite nadavam em seus olhos, ele novamente me questionou: - Vovô Rock, o bom velhinho vem para todas as crianças? Ele atende as correspondências de qualquer uma? E quem não sabe escrever, como pede? E os que moram em casa de lona, sem porta e chaminé, como ele entra? E quem não tem uma cama para dormir, onde ele esconde o presente?
Foram muitas perguntas de uma só vez. Falei que Papai Noel tem solução para tudo. Com ajuda dos Duendes e das Renas que puxam seu trenó, trazendo o saco de lembranças, se esforça para cumprir sua missão em tempo hábil. Completei dizendo que, este ano, até eu endereçara um pedido para o velhinho de barba branca. Arthur simplesmente alegrou-se.
Mudamos de assunto e encerramos o passeio. Eu porém não esqueci aqueles questionamentos, para os quais, pensando bem, também desconheço as respostas. Não me afasto, contudo, de uma certeza: acreditar em Papai Noel é como chupar rolete, comer cavaco chinês, correr descalço na rua, lambuzar-se tomando sorvete e não ter malícia. É ser criança... é ser permanentemente confiante.
Uma coisa é indiscutível. A possibilidade de ser feliz está em nossas mãos, bastando termos coragem para transformar os momentos de dificuldades em grandes desafios, buscando, na solidariedade, um caminho para atingirmos melhores dias.
P.S. – Na realidade, este ano enviei mesmo uma missiva ao Polo Norte, contendo apenas três pedidos: a) queria novamente acreditar nos políticos e na política; b) queria, de volta, o respeito c) queria, em plenitude, sentir orgulho de ser brasileiro. Espero que as respostas cheguem rapidamente. FELIZ NATAL PARA TODOS..
(*)Membro das Academias Maceioense e Alagoana de Letras e do IHGAL
TRÊS PEDIDOS PARA PAPAI NOEL
CrônicasAlberto Rostand Lanverly (*) 24/12/2014 - 10h 59min
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