MEU PIÃO E A RESPOSTA DE JOÃO DO MATO

Versos e Prosas

Remi Bastos e João do Mato

Do galho da goiabeira
Mandei fazer um pião,
Bem bonito e torneado
Com um bico afiado
Pra lascar a carrapeta
Do meu amigo João.
O meu pião
É leve como uma pena,
Maneiro c’omassussena
Rodopiando no chão.
Minha ponteira
Eu comprei lá em Gileno,
O dia tava sereno
Decorado de orvalho.
Quem me atendeu
Foi um sujeito cabeludo
Por nome de Zé da Gata
Que também é um Carvalho.
O meu pião
Tem nome de Virgulino,
Não é um pião mofino
Só quer mesmo é bicorar.
Estou pensando
No Torneio de Santana,
Meu pião com tanta fama
O que será do Capiá?
Finalizando,
Deixo aqui o meu recado
Quem tiver pião bichado,
Carrapeta ou buzugu
Tenha cuidado
Com um tal de Virgulino
Que ele é um pião tarado
Pode bicorar seu braço.

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RESPOSTA DE JOÃO DO MATO

Virgulino era um pião afamado
Lá prás bandas do Sertão
Era bicho “marvado”
Sem dó nem coração.
Lascava em bandas os desafetos,
Na arte da finca, chovia canivete.


Feito de miolo maciço da goiabeira.
Um raio quando sai da ponteira.
Um castelo muito reforçado
E bico muito afiado.
Bicho brabo e encrequeiro.
E verdadeiro carniceiro
Não tinha compaixão
Nem dava moleza na competição.

Aí veio o segundo torneio.
E encontrou-se com o Pião
De nome Pica-pau
Um verdadeiro canibal.
Na arte da destruição.

Foi um torneio inédito.
Depois de muitas horas
O juiz encerrou a competição
O Vigulino abriu o bico,
E pediu o penico,
Sem a mínima condição.

Estava desfigurado,
Arrancaram-lhe o castelo
Com cinco bico amarrado.
Foram atrás de um martelo
Para fazer o conserto
Mas não havia mais jeito.

E deram por encerrado.
Aquela competição
Sagrando-se campeão
O grande Pica-pau,
O Pião canibal.

Abraços a todos.Esse Virgulino já era.

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