POÇO DO JUÁ

Poesias

João Francisco Chagas Neto

Nas suas águas,
Tomei banho até enjoar!
Em todos os seus recantos,
E como que pôr encanto,
Descobria no dia-a-dia
A beleza que você escondia.

O banho no estreitinho.
Naquele cantinho.
Chupava manga, comia goiaba,
E farinha com torreiro,
Pescava piaba.
Depois descia nos carneiros.

No largo havia mansidão,
Que eu gostava também.
Desfrutava um vidão,
Remando as canoas,
Atravessando pessoas.
Naquele vai-e vém

É preciso que conte,
Antes da construção da ponte,
Quando o Panema enchia,
Prá fazer a travessia,
E o Cachimbo Eterno acessar,
Pegava-se canoa no Poço do Juá.

Quando as águas clareavam,
Quem também comemorava,
Eram as lavadeiras.
Descendo as ladeiras,
Prá suas trouxas roupas lavar.
No Poço do Juá.

Quando o rio apartava,
Alí ficava um poção.
Que a sêde saciava
Dos animais da região
De vez em quando, ainda dava
Um mergulho naquele verdão.

E no Sábado, dia da feira,
Cada tempo á sua maneira,
Era um verdadeiro estacionamento,
De carros-de-bois,carroças e jumentos.
Depois da mercadoria no armazém entregar,
Ficavam aguardando onde iam carregar.

E eram os bancos de areias,
Que escondiam em suas veias,
A preciosa água salina,
Que borbotava ao abrirem cacimbas.
E supria a necessidade,
De grande parte da cidade.

Ponto de encontro do dia-a-dia,
Dos botadores d’água,
Onde afogavam mágoas,
E também, extravasavam alegria.
Enquanto aguardavam a vez de descer
Para suas ancoretas encher.

Hoje, ao vê-lo nessa situação,
Dói fundo no coração.,
Diante da insensatez,
De diversas gerações,
Que não sei,talvez !
Pôr ganância ou ignorância,
Ou alguma implicância
Demataram ás margens,
Do rio que o alimentava
Atrás de alguma vantagem
De aumentar a produção.
Deixando-a expostas á erosão.
Com isso lhe assorearam,
E também o transformaram
Num imenso lixão.




Distrito do Quebra Coco-MS, 06/11/2006

Poesia publicada em 20/11/2006

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