ESSE COMPADRE NÃO É GENTE!

Histórias Engraçadas

Luiz Antonio de Farias (Capiá)

Nos idos do ano 1948, quando eu contava com apenas 05 anos de idade, lembro-me de que papai mandou construir nossa casa no povoado de Riacho Grande, atual cidade de Senador Rui Palmeira. O profissional encarregado pela obra foi Sebastião Pedreiro, um preto esguio, gago, que nas horas vagas gostava de tomar
umas "biritas" e de tocar cavaquinho. Casou-se com Maria Pretinha e quando nasceu sua primeira filha o casal, a Lindoura, eles convidaram nossos pais para apadrinhar a recém-nascida.
Naquela época, vez por outra, eu ouvia D. Aristea, minha mãe, comentar:
- esse compadre Sebastião não é gente! Eu, dentro da minha inocência, rebatia:
- porque ele não é gente? Mamãe dizia:
- deixe pra lá, que você não entende disso!
O tempo passou e somente quando comecei a me entender como gente vim a compreender a razão daquela expressão da minha genitora. É que o pedreiro além de sua esposa, com quem veio a ter 18 filhos, dava suas "puladas de cerca", ou melhor dizendo, tinha umas "capas de cela" – como costumava dizer o focalizado – , com as quais também constituiu família.
Quarenta anos depois me encontrei com o "casanova" caipira, que ainda demonstrava certa vitalidade. Cumprimentei-o, ocasião em que travamos o seguinte diálogo:
- É Luiz Antônio "fio" de "cumpade" Zeca?
- Sou sim, "seu" Sebastião.
- Luiz, você se casou?
- Casei-me, "seu" Sebastião.
- Tem quantos filhos?
- Um casal, respondi.
- Só? Rebateu o pedreiro.
- Somente, "seu" Sebastião. E o senhor quantos filhos teve?
- Quarenta e dois, mas vivos só têm vinte e oito.
Já não existem mais pedreiros como antigamente!

Recife-dez/2006

História publicada em 04/12/2006

Comentários