Escola e Violência até quando?

Cicero de Souza Sobrinho (Prof. Juca)

As relações humanas sempre foram mote para debates e estudos sob as mais variadas vertentes educacionais e filosóficas, então ao nos inquietar-mos com estas questões não poderíamos nos manter inertes aos acontecimentos cotidianos dentro e fora da escola.
Podemos afirmar com veemência, que vivenciamos uma sociedade violenta, um mundo vilento, uma escola violenta; onde palavras como dor, tortura – castigo -, discórdia e até mesmo desesperança se tornam parte integrante da vida humana, e que estão presentes em seu cotidiano (das pessoas) e são fomentadas como se fossem algo comum às pessoas na mais complexa das realidades humanas – nas esferas individual e, por conseguinte coletiva – os relacionamentos intra e interpessoais. Pois sabendo que o ser (subjetivo) não está dissociado do coletivo (sociedade), acredita-se que este passe a ser responsável direto pela condição de bem-estar do outro. Mas, compreende-se que esta condição só se torna possível à medida que um percebe no outro a condição de humano, de igual, entretanto para tal, esta percepção não pode trazer em seu bojo conceitos pré-concebidos, atrelados a credo político, condição sócio-cultural, sincretismo religioso ou condição sexual. Mesmo que a nossa cultura contemporânea e os sistemas político e educativo primem pela individualidade dos elementos, mesmo assim devemos superar essas premissas e possibilitar um bem comum tao necessário à coletividade: a participação.
Sob uma visão analítica de possibilidades, comprende-se que ao observar o outro enquanto ser que pensa e que é capaz de tomar decisões assim como nós, somos impedidos à participação na sua busca por efetivação, nos pomos como corresponsáveis diretos pela sua cidadania – enquanto ser humano e social.
Falar sobre a violência é falar sobre a história da humanidade, pois esta – a violência – parece “fazer parte da matriz genética da espécie”. E nessa vertente a educação tem sido mostrada como uma das saídas para esta encruzilhada a que se encontra a sociedade contemnporânea. Embora ela mesma seja geradora de violência em seus espaços, seria oportuno perguntar como uma instituição poderia supor o fim ou mesmo se propor a debater sobre determinado fator social, já que enfrenta os mesmos problemas?
Em todas as camadas da sociedade percebe-se que esse estratagema é visto como causa de uma sociedade violenta e omissa que busca alternativas para sanar um mal que a todos aflige.
A coletivização da violêcnia ou dos atos desta, implica em omissão muitas vezes dos principais responsáveis pelas condições geradoras das açãoes violentas: o Estado quando não gere em função do bem-comum de uma classe trabalhadora e menos abastada; a mídia quando banaliza as ações violentas e de desrespeito à pessoa humana; a escola quando reproduz essas práticas excludentes; o professor quando reitera e se prosta como defensor dessa postura agindo como um coisificador da humanidade do aluno. Ao observarmos essa gama de envolvidos que delimitam ao seu modo e atendendo a seus interesses particulares a implementação das acoes de violência, podemos compreender que a coletivização atende muito bem a todos para que se eximam da culpa e das buscas por solucoes desta problemática.
A “sociedade” – a classe que dita padrões e comportamentos – ao dizer que quando um aluno depreda o espaço físico da escola este deve ser preso de imediato deixa de perguntar na mesma medida: o que esta escola está fazendo por este indivíduo? O papel da escola e da sociedade está equiparado na busca não de inclusão social, e, por conseguinte no fim (ou diminuição) da violência, mas sim de um processo seletivo em padrões pré-determinados, pois ninguém assume responsabildiade alguma onde o medo e a desconfiança tornam as pessoas reféns de suas próprias ações.
A prática da violência nos moldes como hoje se apresenta na realidade escolar indica-nos que não se recorre a atos delituosos para garatir a sobrevivência apenas fisiológica como a história mostra. A sobrevivência do status e ou criação dele ao que parece é hoje a principal motivação para atos que expressam a consideração do outro como não-pessoa.
A busca do enriquecimento na tentativa de se firmar o “TER” suprimi o “SER” mostrando uma similitude quando se analisa a relação existente entre a violência primitiva e a violencia hoje.
Assim, vale salientar que a escola é uma (re)produtora – mesmo que em escala micro – dos “moldes” que futuramente embasaram a violência em/na sociedade, dai a importância de se debater sobre o assunto, sendo que para tanto será preciso observar três pontos preponderantes: Onde? Como? Por quê? O conflito se gera pela falta dialogo entre as partes ou pela incapacidade de percepção do outro (o agredido) enquanto pessoa, seja ele aluno ou professor, negro ou branco, rico ou pobre, bonito ou feio, magro ou gordo, jovem ou velho, deficiente ou não-deficiente, nordestino ou sulista, homo ou heterossexual, homem ou mulher, pois só há ESTERIÓTIPO e nunca PESSOA para quem agride.
Até quando seremos vítimas da violência desmedida, descabida e imbecil que ceifa vidas e faz uma infinidade de órfãos, mães sem filhos, maridos sem esposas? Até quando?
Até quando a brutalidade da superficialidade siliconeana-gluteneana e monetária será o divisor de classe? Até quando esse padrão será e imposto como um padrão universal a ser seguido pelas nossas crianças?
Até quando teremos como heróis os brutamontes bombados e sem cérebro?
Até quando a escola vai se furtar da discussão séria sobre as violências que apodrecem salas de aula e corredores e fazem com que ensinantes e aprendentes se tornem reféns dentro e fora da instituição? Quantos mais devem ser mortos, agredidos, humilhados?

Mas como dizia meu professor na faculdade:
– QUANDO NÃO É PELA ROSA É PELA CRUZ.

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