1975-2025: POR QUE NO PASSADO SE DEFENDIA A ANISTIA E HOJE SE REJEITA?

Pe. José Neto de França

1975-2025: POR QUE NO PASSADO SE DEFENDIA A ANISTIA E HOJE SE REJEITA?

A trajetória da anistia no Brasil está profundamente ligada à luta por liberdade e democracia, especificamente durante a repressão da ditadura militar. Naquela época, a anistia era vista como uma ferramenta de pacificação, essencial para restaurar a harmonia social e permitir que o país seguisse adiante. Aqueles que clamavam por "sim" à anistia buscavam curar feridas e restaurar a confiança na democracia, acreditando que o perdão poderia abrir caminhos para um futuro sem repressão.

Contudo, um paradoxo surge no atual contexto político, caracterizado por polarizações intensas. Hoje, diversas vozes que antes apoiaram a anistia agora a rejeitam, alegando uma necessidade de justiça. Essa mudança de perspectiva é incoerente, pois sugere que o perdão é aceitável apenas em determinados momentos, enquanto a "justiça" se torna a prioridade, quando na verdade, por trás, está a defesa de seus próprios interesses.

Negar a anistia em tempos turbulentos é ignorar as lições do passado e o papel essencial da anistia na estabilização política. O dilema atual ecoa os desafios de décadas anteriores, onde o diálogo sincero e a pacificação eram fundamentais para a convivência pacífica entre diferenças. O que mais preocupa é que a recusa em aceitar a anistia pode criar um ciclo de vingança e divisão, contradizendo o que se desejava no passado.

Assim, a discrepância entre o "sim" de outrora e o "não" atual revela uma falta de compreensão sobre a importância da reconciliação e do diálogo em crises. Para progredir como sociedade, é crucial perceber que a anistia não representa apenas um perdão, mas uma construção conjunta em busca de paz e entendimento. Ignorar as lições passadas em nome de uma justiça apressada pode intensificar a polarização, prejudicando a frágil democracia que tentamos preservar. Portanto, é essencial redefinirmos nosso papel no discurso público e buscar a união em prol de um futuro mais pacífico e inclusivo, sem olvidar o que vivemos.

Em resumo, rejeitar a anistia como uma expressão de divergência política ou por vingança diminui a relevância de quem o faz, condenando-o ao desprezo da história.

Pe. José Neto de França
(Sacerdote e Nutricionista Integrativo – CRN/AL nº 43951)

Comentários