Prezado leitor, depois de ter vivido algumas secas genuínas, na minha região, resolvi registrar esses fenômenos da natureza e depois, publicar em capítulos com a deferência do Portal Maltanet, pois pretendo ao final da odisseia enfeixar num livro como um resgaste da história do povo sertanejo, tudo isto denominei o romance de O Rebentão. Vamos a história:
A seca estava bravia e tirana, o céu limpo e liso parecendo folha de imbé, o calor escaldante que evaporava da terra aumentava ainda mais a temperatura, sem esperança de chuva. O vento que sobrava parecia morno, fazendo arrepiar o cabelo do gado que se recolhia ao redor do terreiro da fazenda Boa Sorte do Coronel Libruíno. A água da Lagoa do Pedrão estava mais grossa que angú de caroço e no fim. Na cacimba dos coqueiros, que era de minação, mal estava dando para movimentar o vapor de descaroçar algodão do senhor Luís dos Anjos. Um cidadão chato e mal-encarado, chamado “Praça”, que era o carreiro, conduzindo um carro de boi com os toneis, levando a água toda deixando todo o gado com sede causando muitas vezes, verdadeiros abusos entre os donos do gado. O povo em agruras, além da seca, a fome dizimando as pessoas. As cacimbas de minação eram apinhadas de gente por dia e noite, o povo esperando água para beber, era uma água salobra e meio salgada, às vezes provocava até dor de barriga nas crianças com fortes diarreias e até ânsia de vômito. Lá no sítio Amargosa, Belo Zezinho, tinha uma grande barragem com água boa, porém vendia a lata e o carreiro que chegasse com um tonel, teria ainda, que ajudar a carregar a lama do açude para poder comprar a água. O proprietário, Belo Zezinho era um velho meio ricaço, com boa área de terra, gado e muito trabalhador, sendo, portanto, muito admirado e respeitado na comunidade, católico fervoroso, admirador de Frei Damião e Frei Fernando, que vinha todas as noites assistir os sermões e prédicas dos religiosos em Olho d’Água das Flores, quando vez por outra os missionários apareciam por estas plagas. Belo Zezinho, tinha uma casa para rancho na rua do Comércio, na casa entrava o dono e o cavalo, este ficava amarrado no muro da casa, era um cavalo de cor escura e de boa passada. Conheci Belo Zezinho, já maduro em anos, era de estatura mediana, mais baixo que alto, gordo, tipo bonachão, o que mais me impressionava em Belo, era sua voz, pois ele falava muito fino e estava sempre alegre, Olímpio Sales de Barros, político e poeta, possuía a habilidade de imitar as pessoas, e o fazia com grande perfeição, Belo Zezinho não fugia à regra do imitador. Numa conversa entre Belo e Maria Fonhen, uma moradora da cidade, cujo diálogo era criado por Olímpio, provocava risos e gargalhadas as mais sisudas das pessoas
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