Ó MORTE TU QUE ÉS TÃO FORTE

Luciene Amaral da Silva

Quando li a história infantil A formiguinha e a neve de João de Barro (Braguinha) tinha essa parte em que a formiguinha cansada, com fome e frio encontrou a morte e viu nela a solução da vida e disse "ó morte tu que és tão forte,... desprende meu pezinho?" e a morte responde "mais forte que eu é Deus que me governa".

Iniciei essa reflexão com um sentimento no coração gerado por uma cena que acabei de presenciar, uma idosa com 90 anos de idade, acamada por uma queda, com sonda alimentar, e uma situação muito difícil de existência porque já não vi vida, na concepção de estar vivo de corpo e alma, naquele ser e por isso, vim na intenção de abordar uma questão polêmica que é a morte.

Para iniciar o texto pensei na citação do livro referenciado acima e a partir dessa citação meu coração mudou e o que vim para escrever tomou outra direção, outro sentido, pelo fato de não saber quem irá ler essa reflexão e a responsabilidade pelas decisões de quem vai ler me trouxe à sanidade e não posso apenas expor o que estava sentindo diante do quadro que vi, porque talvez chegue como água para uns e ácido para outros, por isso, a necessidade da sanidade em meio a emoção.

A morte sempre será um assunto polêmico porque, acredito, depois dela tenha algo que não conhecemos ou não tenha nada, ou seja, é algo desconhecido para nós. A crença de cada um lhe acalmará o coração com as respostas acalentadas pela fé.

No entanto, ela é um fato e um ato que tira de nós aquilo que mais gostamos nós e os nossos. Nós temos muitos defeitos e limitações, a humanidade anda meio vazia de muita coisa, buscando algo que nem ela sabe o que é. Às vezes acha que encontrou oque procurava, mas acaba desanimando porque não era de fato o que procurava, mas uma coisa nós todos concordamos: como amamos os nossos, como aqueles que escolhemos para ser nossos (familiares, amigos, pessoas queridas) nos fazem falta quando vão embora para sempre.

Vixe, esse para sempre assusta muito mesmo. Nunca mais ver em matéria, assusta bastante, mas é real e quem sabe , em algumas situações terminais, nem seja tão maléfica assim. Quando a formiguinha pede para a morte desprender o pé dela por conta de um grão de neve que caiu, ela sabia que a situação era tão difícil que até a morte podia ajudar.

No entanto, até a formiguinha descobre que a morte não é a saída, porque até a morte reconhece que existe uma saída bem melhor, eficaz, forte e que não faz o serviço pela metade.

E ao evocar Deus como sendo seu governante, a morte, nos devolve aos braços Daquele que nos amou primeiro, Daquele que nos escolheu para também ser "nossos" e por isso, tem muita coisas que não entendemos e não conseguimos explicação, mas mesmo que venhamos a pensar que a morte seria a solução, devemos ver que a vida não nos foi entregue para perder.

A vida foi o maior presente que Deus nos deu para nos ensinar coisas que antes pertencia apenas a Deus. Amar os nossos. Ser parte dos nossos, cuidar dos nossos, e talvez essa tenha sido a maior lição que aprendi nessa noite, não se resolve a vida com a morte, se resolve com o amor.

Até breve

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