UMA CRÔNICA DE AGOSTO...

Fábio Campos

Tive vontade de fazer uma crônica assim, de agosto. Cheia de lucubrações. E o que são lucubrações mesmo? Vamos ver. É só digitar. Ali, na enciclopédia virtual, da rede mundial tecnológica. Ela tem resposta pra tudo! Ela me dá tudo. Inclusive medo.

“Lucubrações são reflexões profundas, meditações intensas ou estudos trabalhosos que exigem grande esforço mental, muitas vezes, realizados durante a noite. A palavra também pode ser usada de forma irônica, ou pejorativa, para descrever ideias confusas, teorias fantasiosas ou especulações sem sentido prático.

Exatamente para que se prestará. Comecemos por esta aqui: O escritor Rubem Alves [1933-2014] disse um dia: “Gostaria de dizer as crianças e aos adultos, que percam mais tempo fazendo coisas inúteis: olhar as nuvens, ouvir o vento, sentir o cheiro de chuva, observar uma aranha tecendo sua teia. São coisas que não servem pra nada. E são exatamente por isso que são indispensáveis. Porque a vida não é aquilo que serve. A vida também é aquilo que encanta. E o encantamento, esse sim, é o que nos mantém vivo de verdade.”

Alguém disse pelas redes sociais da vida, que algumas palavras da língua portuguesa, só existem no Brasil. Por exemplo: CAÇULA. Adjetivo que serve para designar o filho mais novo de uma prole; CANGA: substantivo, feminino; pedaço de pano retangular composto de variada padronização de tecidos [praia]; ou ainda, artefato de madeira para emparelhar gado bovino, com o intuito de realizar trabalho agropastoril; TANGA: substantivo, feminino; qualquer pedaço de tecido de pano, ou outro material que serve para cobrir o sexo.; SUNGA: substantivo, feminino. Calção de banho minúsculo.; BABÁ: substantivo comum, de dois gêneros. Profissional que cuida de bebês, zelando pelo seu bem-estar, saúde, higiene, alimentação, recreação e lazer. Curiosidade à parte, todos estes termos descendem de dialetos africanos e chegaram a nossa língua portuguesa através dos negros escravizados.

“Sonho que se sonha só. É só um sonho que se sonha só. Sonho que se sonha juntos, se torna realidade.” A frase atribuída ao saudoso roqueiro, baiano Raul [Santos] Seixas [1945- 21/8/1989]. A autora, na verdade, é a ativista pela paz, a japonesa, Yoko Ono [1933], esposa do Beatles John Lennon [1940-1980]. Ela cita-a em seu livro: “Grapefruit” [1964]. Aparece na canção “Prelúdio” [1974] de Raul. Não caracterizou plágio, pelo fato de ter sido usada em épocas distintas, e por ter se tornado de domínio público. Já havia sido citada, por John Lennon, a ponto de acharem que era dele. Dom Helder Câmara [1909 – 1999], quando arcebispo de Olinda e Recife, criou uma, bem parecida: “Quando sonhamos sozinhos, é apenas um sonho; quando sonhamos com outros, é o começo da realidade.”

CONSELHOS DE UMA FILÓLOGA. Jamais DIGA: “Eu acho...” Prefira: “NA MINHA ANÁLISE.” [ Passa mais confiança]; “Não quero ser chato...” Prefira: “GOSTARIA DE ALINHAR UM PONTO” [ Dá ideia de encorajamento; afasta qualquer rejeição.]; “Sabe de uma coisa?...” Prefira: “VEJA UM PONTO IMPORTANTE.” [Remete a firmeza, dá credibilidade]; “Isso foi um fracasso...” Prefira: “ISSO SERVIU DE APRENDIZADO.” [ Isso cria vínculos]; “É nossa exigência...” Prefira: “É NOSSA EXPECTATIVA.” [ Passa segurança , sinônimo de saber trabalhar em equipe].

“A JANELA. Dois homens enfermos dividiam o mesmo quarto de hospital. Os dois estavam muito doentes. Um deles ficava perto da janela. O outro ficava, deitado o tempo todo. Sem conseguir sequer sentar-se, no seu leito. Então, todos os dias, o que ficava perto da janela, relatava sua rotina. Virado para o lado da janela comentava: Hoje o céu está completamente azul. Uma velha senhora passou com seu neto, para o parquinho. Dois cachorros passaram brincando com uma bola. Um casal de namorados vai caminhando, de mãos dadas. As árvores hoje estão balançando com o vento. O enfermo que só escutava, no seu leito, fechava os olhos, e via tudo o que o amigo relatava, e era como se estivesse lá fora.

Até que, numa manhã, o homem que ficava perto da janela morreu. Dias depois o único enfermo agora daquele quarto, pediu para trocar de cama. Queria ficar perto da janela, no leito antes ocupado pelo amigo. Finalmente iria ver, com seus próprios olhos, tudo o que o amigo relatava todos os dias. Com certa dificuldade conseguiu se apoiar nos cotovelos, e olhar através da janela. Para sua surpresa, além da janela, só havia um muro, mais nada. Confuso, chamou a enfermeira. E lhes perguntou como aquilo era possível. A enfermeira sorriu com tristeza, e lhes disse: aquele homem não enxergava, ele era cego. A Lição que Fica: O homem cego fazia questão de mostrar ao companheiro, imobilizado pela doença, o mundo de um jeito mais bonito. A mensagem não é sobre janelas. As que encontramos ao longo da vida. Mas, sobre o que a gente decide fazer, com nossas limitações. E com o que há, para além das nossas janelas físicas, mentais, espirituais. O cronista desconhece a autoria do texto.

MISTURA. É palavra eclética. Esse substantivo, feminino, no dicionário pode significar: “Ação ou efeito de misturar. Bem como, o resultado da união de várias coisas postas em conjunto.” Pode ter variante, em química: homogêneas e heterogêneas. Na etnia [miscigenação] as raças; na paleta do pintor; na arte e preparo de bebidas, e ervas medicinais. No entanto, queremos nos referir a um tipo bem específico: o termo como parte da alimentação humana, vem do período colonial do Brasil. Nasceu nas senzalas, entre os escravos. Na hora da principal refeição, era ofertado: arroz, feijão e farinha. Por conta do alto valor comercial, a proteína: carne bovina, frango e ovos. Bastante raro, era fracionado. A esse complemento alimentar deu-se o nome de mistura. Amplamente usado entre as camadas mais pobre, o uso do termo “mistura” chegaria até os dias atuais.

ADJETIVOS INTERESSANTES. INEFÁVEL: significa algo que não pode ser dito, explicado ou expresso por meio de palavras. Do Latim: “ineffabilis”; ESBELTO: Vem do italiano “svelto”, significa ágil, livre, solto ou desembaraçado. Do Latim, “svellere” dá idéia de algo livre de excessos, com movimentos leves. IMPÁVIDO: Do Latim “impavidus”, significa “sem medo” ou “intrépido”; vem da unção de ‘in’ prefixo de negação (não) com ‘pavidus’ (medroso, temeroso), derivado de ‘pavor’.

O Poeta ZÉ CAZUZA sobre a vida, um dia disse: “Futuro jamais espero, com isso nunca me altero/ A decadência me diz, já fiz tudo quanto quis/ Hoje eu num faço o que eu quero/ Nem por isso desespéro/ E nem tampouco detesto/ Fica aqui meu manifesto/ Estou eu duma maneira, igualmente fim de feira/ Onde só se encontra resto.”

O Errado [minúsculo]; E O CERTO [maiúsculo]. Nas seguintes expressões: A Domicílio; EM DOMICÍLIO. A Longo Prazo; EM LONGO PRAZO. À Partir de; A PARTIR DE. Ao Meu Ver; A MEU VER. Entre Eu e Ele; ENTRE MIM E ELE. Há Dez Anos Atrás; HÁ DEZ ANOS. Meio Dia e Meio; MEIO DIA E MEIA.

O Poeta Dudu Morais disse: “Quando a gente adquire experiência/ Com o tempo começa a entender/ Que sucesso no fim tem mais a ver/ Com saúde mental e consciência/ Ter paz é melhor que ter razão/ É preciso aprender a dizer não/ Que alguns ciclos precisam ser fechados/ Que é melhor assumir os seus pecados/ que ser um santo fingindo salvação.”

A palavra PONTO na língua portuguesa, é palavra multifacetada. Do Latim “punctum”, que significa “picada”, “espetada” ou marca deixada por um objeto agudo. Deriva do verbo “pungere” (espetar, fincar). Com o tempo, a pequena marca de uma agulha ou espinho virou símbolo visual para indicar uma posição exata ou sinal gráfico. [Geometria] Unidade para indicar uma posição no espaço. Pontos Cardeais. [Gramática] Sinal gráfico usado no final da frase, ou para indicar pausa na leitura. [Local] Lugar específico onde pessoas se reúnem (como ponto de ônibus ou ponto de encontro. Ponto turístico).[Engenharia] Ponto de luz, de tomada de energia elétrica. [Trabalho e Horário] Registro de presença no emprego. [Medida e Pontuação] Unidade de contagem em jogos, esportes, concursos ou grau de cozimento de uma comida. [Artesanato e Costura] Cada laçada de linha ou fio na costura, no tricô e no bordado.

MAIS UMA REFLEXÃO: “Um homem sem dinheiro, e uma mulher sem beleza, enxergam o mundo como ele realmente é. Fiódor Dostoiésvski.”

HUMOR PARA ENCERRAR
ACABANDO O MÊS E EU ME SENTINDO:
MAIS PERDIDO que DALTÔNICO Resolvendo CUBO MÁGICO.
MAIS INÚTIL que Buzina de AVIÃO.
MAIS SUMIDO que ORELHA DE FREIRA.

FILOSOFIA BARATA
POR QUE Não Existe AGIOTA COM ALZHEIMER?
Se Cruzar Uma PORCA e um TUBARÃO-MARTELO Nasce Um MACARRÃO-PARAFUSO?
Se um MACACO-PREGO SE MOLHAR, ELE ENFERRUJA?

CARTAZ NA PORTA DE APARTAMENTO DE ESCRITOR SOLTEIRO:
“PROCURO Alguém Para FAZER HUMOR. Que Satisfaça MINHAS FANTASIAS TEXTUAIS. Para Juntos CHEGARMOS AO SARCASMO.

HUMOR INTELIGENTE. Assim Disse MACHADO DE ASSIS
“É, de Maior Valia um Bípede Alado na extensão do Seu Membro Superior. Que o Duplo Produto da Mesma Espécie, Desafiando a Gravidade."


P.S. Com consultas ao Instagram/ Facebook/ Google/ Search Copilot.

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