O céu azul, borrado de nuvens plúmbeas, mescladas a outras, fofas e brancas, pronunciava chuva. E ela veio. Torrencial, inquieta, querendo entrar pela janela. Fazer-me companhia, enquanto escrevo. Num instante a bica se encheu, engrossou. Pra onde será, que foram os pardais, os saguis, as borboletas? Buscaram abrigo. A energia elétrica se foi, o vento implacável na fiação deixou-nos a meia luz. A luz do dia se foi, escuridão. O trovão roncou lá longe, lembranças e o cheiro da infância chegaram com força. “Queria tomar banho de chuva.”: Disse Aika, minha neta. Belo domingo, de fevereiro, de tão aguardada chuva.
Ontem, sábado marquei um encontro com um amigo, na rua da minha infância. Praça da Bandeira, também chamada Praça da Assunção, em alusão a capelinha de Nossa Senhora da Assunção, ali erguida na virada do século 19 para o 20. O atraso do amigo, quem sabe providencial, levou-me de volta ao passado. A casa que morei, e da vizinhança vieram, como antes na minha memória. O consultório odontológico de doutor Adelson Isaac de Miranda; a casa de Seu Dota, senhor Leopoldo Oliveira, pai de Maurício, Leopoldo e Iolanda, hoje uma clinica médica, especializada em emagrecimento; a casa de doutor Aderval Tenório, dona Déa, professora de inglês, os pais de Adervalzinho, Irineu, Lucidea, Ida e Dalva; a casa de dona Glorinha e do “véio Zé” apelido do caminhoneiro e vereador José Francisco Carvalho, os pais de João de Deus, Gilvan, Gervásio, Juarez, Gilson, Junior “China”, Carmélia e Lucinha.
Em seguida, vinha nossa casa, que meu transformara o cômodo da frente em mercearia, ali residiam meu pai, João Soares Campos, minha mãe Dineusa Bezerra Campos, Selma, Simone, Sérgio, e eu. Francisco e Fernando Soares Campos, já haviam saído de casa, pra vida. Em seguida, a casa do meu padrinho Jonas Augusto, e dona Floraci Cavalcante, pais de Mário Jorge, Marcos Davi, Márcio, Milton, Fátima, Gorete, Maria Araci, Ana Maria, Maria de Lourdes, Maria Inês, Andreia, Marcelo, Madson e Marlon Santos. [espero que minha memória não me tenha traído, e esquecido alguém]. Depois vinha, a casa de dona Maria Laranjeira, dona Maria Ourives, que morava com seu filho Alberto, mais conhecido pelo apelido: “Benga”; ela exímia escultora em madeira, e ele grande desenhista; havia ainda Léa e mais duas filhas que moravam em Recife, lembro apenas o nome de uma: Tânia. Em seguida a banca de revista de dona Zilda, e na esquina o Hotel Santanense de dona Beatriz.
Só quarenta dias se passaram desse ano. E quão intensas emoções, já vivenciamos em tão exíguo espaço de tempo. A paróquia de Senhora Sant’Ana, viveu, por estes dias, uma novena, pelo jubileu dos seus 190 anos de existência, e em preparação para a ereção canônica de paróquia para santuário. O decreto expedido pelo bispo Dom Manuel foi lido antes da missa solene deste domingo, após procissão pelas ruas da cidade. Os fiéis, paroquianos e visitantes que viveram, testemunharam esse momento histórico.
A nossa academia santanense de letras ciências e artes, está de luto, nos despedimos no último dia do mês de janeiro do ano em curso, de uma dos mais ilustres acadêmicos. Partiu para a eternidade, o escritor, Djalma de Melo Carvalho [19/09/38 – 31/01/26]. Torna-se imortal, na sua obra, deixando grande legado, de escritor. Colega, amigo de todos, de honradez ilibada. Faço minhas, palavras do confrade Antônio “Capiá” de Farias, em sua crônica intitulada: “Djalma Carvalho, um exemplo; [...] obrigado por tudo meu professor.”.
Sempre que chove, o outro dia amanhece com cara de novo. A terra molhada, agradecida pelo dom da fertilidade. O pipilar dos pássaros anunciando o alvorecer, as plantas parecem mais vistosas, até o asfalto molhado se torna mais negro, as cores rejuvenescem, o sol adquire mais brilho e vigor; as andorinhas, chamadas também de lavadeiras sorriem lavando e secando o manto azul de Nossa Senhora. Esperamos que essa alma lavada do sertão, com essas chuvas desacelere o motor desse ano, que mormente se iniciou, igual locomotiva louca. “Maria Fumaça”, sangrando as serras e as terras desse velho odeon.
“Odeon: do grego; Odeum Latim [Odeão; Português] Teatro relativamente pequeno da Grécia e de Roma antigas; onde músicos e oradores se apresentavam e competiam. Fonte Google.com.br”
Na rua da minha infância, há um ponto comercial, um supermercado que visito com freqüência. Nele, há dois funcionários, assim como eu, que se chamam Fabio. Um deles sempre que me vê, me cumprimenta assim: “Fala xará!” Curiosidade aguçada.
De onde vem o termo “xará”? “A palavra “Xará” usada para se referir a uma pessoa que tem o mesmo nome da outra, veio do tupi, língua indígena que influenciou bastante o português falado no Brasil. Para o filólogo [aquele que estuda a linguagem] Antônio Geraldo da Cunha, o termo deriva de xa’ra, que vem de “xe rera” que significa: “meu nome”.
Você sabia que alguns nomes próprios podem ter origem desde Roma Antiga? De acordo com uma postagem na enciclopédia mundial de computadores, são esses os nomes cuja origem podem ser de Roma antiga: Silva: significa floresta ou selva; Martins: vem do deus mitológico Marte; Cesar: vem do clã romano: “caesaris”; Paulo: vem de “Paulus” significa “pequeno”, “jovem”.
Uma coisa sempre puxa outra. Amanheci com a música “Cachito Mio” de Lisac’Ono [1958], que lembro na voz do cantor norteamericano Nat “King” Cole. “Cachito, cachito mio/ Pedazo de cielo que Dios me Dio.” Cachito em espanhol, significa: “pequenino, pedacinho.”
Interessante foi descobrir, agora mesmo, que “Pepe e Paco”. Apelidos tão comuns de personagens nos filmes de Bang-Bang, nos Faroestes mexicanos, que assistíamos na telona, do Cine Alvorada, nas décadas de 60 e 70. A origem, são respectivamente: José e Francisco, isso porque São José era denominado “Pai putativo”, suposto pai, de Jesus, que se abreviava: P.P. que virou “Pepe”; e Francisco ficou conhecido por “Pater Comunitatis” [pai da comunidade] abreviado: Pa.co. ou “Paco”. Na verdade, não são propriamente apelidos, mas hipocorísticos: palavras carinhosas.
UM POUCO DE HUMOR PRA ENCERRAR
APELIDOS PRA COLOCAR NO SEU AMIGO
INTESTINO: Ou Tá PRESO, ou Fazendo MERDA
CONFEITEIRO: Nunca Larga a FARINHA
REAL MADRI: Se Tiver Dinheiro COMPRA CRACK
PETER PAN: SE Recusa a CRESCER
MELANCIA: SE MENTE Demais.
PREÇO DA GASOLINA
UM FOLIÃO COMENTA:
-NESSE CARNAVAL NEM VAI SER PRECISO A FRASE “SE BEBER NÃO DIRIJA”
-POR QUÊ?
-PELO PREÇO DA GASOLINA, OU A GENTE BEBE, OU DIRIGE!
FELIZ CARNAVAL! BRINQUE EM PAZ. VIVA, E DEIXE VIVER!
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