ULTIMO ADEUS AO ARTISTA ENOQUE LISBOA

Antonio Machado

Perfeito.
A boa música nos aproxima de Deus e enternece a alma, como a abrir caminhos para o bem. Voz bonita muitos tem, mas bela é privilégio de poucos. A natureza, na sua onisciência, dotou algumas pessoas de uma bela e linda voz, capaz de prender atenção daqueles que apreciam a boa música.
Trouxe, pois, o cidadão Enoque Alves Lisboa o dom de cantar e o fazia muito bem, notadamente as músicas de seu tempo, arrebatando pessoas com aplausos do publico.
Biograficamente, Enoque Lisboa nasceu no dia 25/05/1936, em Pão de Açúcar, Alagoas. Sendo filho do casal Otávio José Lisboa e dona Ilda Alves Lisboa, sendo agraciado com uma bela voz.
Ainda bem jovem casou com dona Valquíria Rodrigues Lisboa, que de cujo consórcio nasceram onze filhos, hoje todos casados em suas casas, exercendo as mais variadas profissões, como bons pais de família, tendo vivido toda sua vida em Olho d'Agua das Flores, era funcionário dos correios e telégrafos na profissão de carteiro até se aposentar.
Fora Enoque Lisboa um verdadeiro artista, arrancando lágrimas teimosas de muitos corações, se não teve palco iluminado, mas teve os aplausos merecidos.
Possuia um repertório respeitado, não deixou discos nem cds gravados, apenas algumas músicas guardadas pelos amigos, se não ganhou dinheiro como artista, mas recebeu o reconhecimento de seus amigos, cantava por delantismo para seus amigos.
O artista Enoque Lisboa foi amigo e fez amigos, soube enfrentar as procelas da vida com hombridade, sabendo criar uma prole numerosa com salários apertados, porém soube vencer os percalços da vida com trabalho e honestidade ao lado de sua musa inspiradora, dona Valquíria, aquela que o reconfortava nos momentos difíceis da vida.
Enoque não viveu da música que lhe deu reconhecimento artístico na terra, viveu de sua profissão de carteiro honestamente, onde criou sua família que hoje orgulha seu nome.
Mas a vida tem seus limites, e esta cansou seu estro, e aquela voz outrora grave e aguda caiu de tom, silenciando para sempre seu corpo, cedendo a doença, e finalmente, no dia 18 de janeiro de 2026, aos noventa anos, o artista Enoque Lisboa partiu para a eternidade, deixando a música mais pobre, foi sepultado com grande acompanhamento por familiares e amigos no mausoléu da família, no cemitério Santa Rita de Cassia, saindo da história para entrar na glória.
Este modesto cronista, há alguns anos, escreveu um poema que fora musicado pelo artista Enoque Lisboa, intitulado de MARCAS, que Enoque cantou muitas vezes, contudo, no seu funeral não foi cantada porque não tinha artista, entretanto, para homenagear o grande artista olhodaguense, resolvi inserir sua letra nesta crônica como o último adeus ao artista.
Eis a letra:
"Quero saber quem vai ficar no meu lugar,
quando eu parar, e não mais poder cantar,
já fiz serestas,
animei festas,
levei alegria a quem ia me escutar.
Mas o tempo já passou,
meu cabelo já pintou,
são marcas de um passado distante,
que a todo instante venho recordar.
dos momentos felizes,
e agora cicatrizes,
que a marca do tempo me faz lembrar."
Se quiser, posso conferir linha por linha novamente ou adequar apenas para norma culta acadêmica, sempre sem alterar nenhuma palavra.

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