A CURVA ESTÁ SUBINDO

Djalma Carvalho

Leio, em watsapp, a advertência da médica Dra. Paula Loureiro, que disse: “Pelo que os especialistas afirmam, a partir de amanhã (9/6) teremos, no mínimo, 30 dias difíceis, de muita dor, de muitas perdas e só teremos remédio para tentar diminuir tudo isso – realizando de forma séria e muito cuidadosa o isolamento social.”
Dei a mim mesmo uma pausa para reflexão sobre o perigo que nos cerca, diariamente, depois de conhecido o número de 693 óbitos observado em 8/4/2020, comparado ao de 37.134 divulgado em 8/6/2020, causado pela Covid-19, em 61 dias, no Brasil.
Alarmante a ascendente curva da pandemia, no que se refere a infectados, também no período de 61 dias: de 14.152 casos em 8/4/2020 para 707.412 casos em 8/6/2020.
O que dizer, então, caso a curva de contaminados continue a subir, nessa proporção, nos próximos 30 dias? Certamente, viveremos “dias difíceis, de muita dor e de muitas perdas”, como alertou a Dra. Loureiro.
O mundo, ao longo da história, já passou por diversos tormentos e sofrimentos de sua população, com pandemias, duas guerras mundiais, holocausto, terremotos, vulcões, etc.
No holocausto, por exemplo, foram assassinadas cerca de 11 milhões de pessoas pelo regime nazista durante a Segunda Guerra Mundial.
A Gripe Espanhola, da mesma forma, surgiu entre 1918 e 1919 e infectou cerca de 500 milhões de pessoas, tendo sido considerada “a mãe das pandemias”. Segundo pesquisadores, surgiu em Fort Riley, Kansas, nos Estados Unidos, originou-se de vírus de aves (Influenza Viária) e levou à morte entre 50 e 100 milhões de pessoas. Trata-se da pandemia mais grave da história da humanidade. Diz-se que dessa pandemia houve três ondas de contaminação. Logo depois da primeira onda, os estabelecimentos comerciais foram liberados e as pessoas correram desesperadas às ruas e às compras. Resultado: a segunda onda causou três vezes o número de mortes da primeira onda.
Outros sofrimentos foram impostos à humanidade, com milhões de mortes causadas por inúmeras pandemias. Ante tantos exemplos históricos de perdas humanas, preocupa-nos a advertência da médica Dra. Paula Loureiro, citada no início destas notas. Mas essa onda passará.
Chegou-nos, há pouco, o “novo coronavírus” em forma de pandemia, causador da doença chamada oficialmente de Covid-19, e com a seguinte nomenclatura dada pela OMS, em inglês: “Severe Acute Respiratory Syndrome” (SARS).
Coronavírus é nome da família do vírus que se espalhou pelo mundo afora. Atingiu a China, foi identificado em 2002 e causou epidemia em 2012 no Oriente Médio, segundo consulta à Wikipédia Livre.
Ainda não se sabe, ao certo, aonde chegar a curva da Covid-19, aqui conosco, que permita a flexibilização do isolamento social e de boa parte da atividade econômica do país, anunciada para os próximos dias.
Como “Deus é brasileiro”, como disse o cineasta alagoano Cacá Diegues, brevemente veremos passar essa tragédia da saúde pública no Brasil. Voltaremos, com certeza, a frequentar bares, restaurantes, shoppings e tudo o mais. Teremos, afinal, vida normal, livre. Poderemos visitar amigos, familiares, e viajar.
Desde menino, gripe e resfriado eram doenças tratadas, normalmente, sem maior preocupação dos meus pais. Doenças que não se confundiam em suas manifestações sintomáticas. A primeira, infecciosa, produzida por vírus. Para preveni-la, evitá-la, já dispomos de vacina. A segunda, de processo inflamatório, é também causada por vírus, ou de natureza alérgica. Para ambas, recorria-se, para rápida cura, à alopatia, ou mesmo a chás caseiros ou a analgésicos e xaropes.
Agora, a situação está ficando complicada com essa perigosa e letal pandemia que mudou a vida das pessoas e a da economia no mundo inteiro. Mas haveremos de vencê-la ainda que cheguemos ao pico da curva. Que gripezinha perigosa!

Maceió, junho de 2020.

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