CONTANDO AS FLORES DE OLHO D’ÁGUA

Antonio Machado

Somos sempre o resultado do que fazemos, às vezes idealizamos muito, e realizamos tão pouco, haja vista do projeto de fazer ao realizar existir um longo caminho a ser percorrido, os percalços que se sobrepõem carecer, contudo, de muita dedicação e uma obstinação ferrenha, e sobretudo quando o projeto está atávico aos poderes públicos, porque ninguém faz nada sozinho. Dom Helder Câmara (1909 – 1999), dizia: “ninguém é melhor do que todos juntos”, daí pois, a necessidade de carecermos de mãos para nos ajudar no fazer. Aristóteles (384 a.C. – 322 a.C.), escreveu: “o homem não é uma ilha”, que tão bem se coaduna no trabalho que hora comento. Então nós precisamos dos poderes públicos para realizarmos nossos sonhos, embora sabendo das dificuldades a serem enfrentadas, questiono-me muitas vezes, o que é mais difícil, escrever uma obra ou publicá-la? Os déspotas não gostam dos intelectuais, porque eles veem por outro ângulo e que é difícil essa casta chegar ao poder, talvez seja uma metáfora, mas faz sentido, a classe dominante governa, mas nem sempre manda bem.
Os projetos ligados a cultura dormem nas gavetas suntuosas dos birôs, que quando são fustigados pelos que fazem cultura, ainda sofrem rasuras, emendas, e as vezes, até tirando a beleza de seu conteúdo, como a flor de laranjeira que perde seu perfume ao se desprender do galho. O título deste artigo, trata-se de um trabalho feito com várias mãos que sofreu também alguns revezes, não fosse a audácia dos adolescentes da escola municipal Eliza Abreu, sob a batuta das duas professoras e diretoras da escola, Maria Aparecida Agra Nobre Aleixo e Sandra da Silva Almeida esta obra pequenina, não tinha vindo à lume, se é pequena em tamanho, mas é rica em conteúdo e informações. Depois de tudo pronto encontraram no projeto mais cultura Brasil, o respaldo econômico e dentro de um emaranhado de faz e não faz acharam no prefeito Dr. Carlos André Paes Barreto dos Anjos que compartilhou com a ideia e as flores contadas e cantadas por aquele grupo juvenil deu vida ao saber na busca da profissionalização de cada um.
Ah! Prezado leitor, e quem estava por trás de tudo isto? O escritor José Malta Fontes Neto, presidente da Academia Santanense de Letras, moço culto, mas um expoente das letras da cultura da terra de Breno Accioly (1921 – 1966), em Santana do Ipanema, é, pois, Malta, proprietário do portal Maltanet visto em todo Brasil, e ainda presidente do SWA – Instituto Educacional a quem coube a organização e publicação da obra em apreço.
Contando as flores de Olho d’Água, por seu conteúdo pragmático, mesmo sucinto foca ricas abordagens sem o aprofundamento devido, mas pode se constituir uma obra didática, que apesar de pouca divulgação mas carece ser divulgada nas escolas pela coerência e o valor da obra, visto os fatos serem correlatos fidedignos, as vezes, com trabalhos que carecem ser sequenciados a exemplo de uma simples referência de seus autores no tocante ao hino oficial do município com a letra do professor Pedro da França Reys e a música do maestro Manoel Capitolino de Castro, ambos de saudosa memória, deslizes que o povão não percebe, mas tudo vale a pena, se a alma não é pequena, como dizia Fernando Pessoa. O livro que hora comento é valioso e deve sair das gavetas das escolas para a mão do aluno, porque ele também é didático, é preferível se ver o livro rasgado na mão do aluno, a vê-lo empoeirado nas estantes.

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