Blogs: Relíquias de uma radioemissora clandestina

Literatura

João Neto Félix Mendes - www.apensocomgrifo.com

O sertão de Alagoas na década de 1960 viu nascer várias emissoras clandestinas porque praticamente era evidente a falta de acesso a meios oficiais de comunicação e uma forte necessidade local de expressão cultural e social.

Foi nesse silêncio imposto que nasceram as rádios piratas. Montadas com equipamentos improvisados, muitas vezes escondidas em casas simples ou armazéns, elas surgiam como vozes rebeldes contra a exclusividade dos poderosos. Não havia espaço para o agricultor, para o estudante, para o trabalhador rural nas rádios oficiais. Então, criava-se espaço à força, fora da lei, mas dentro da necessidade de ser ouvido.

As emissoras não eram apenas instrumentos de comunicação: eram atos de resistência. No sertão, onde a distância e o isolamento já eram barreiras naturais, a falta de concessões para gente comum reforçava a sensação de invisibilidade. Ao ligar o transmissor de uma emissora clandestina, o sertanejo dizia: “Estamos aqui, temos voz, temos histórias.”

E assim, entre chiados e transmissões frágeis, ecoavam músicas populares, debates comunitários, críticas ao poder e até notícias que jamais chegariam pelos canais oficiais. O rádio clandestino era o grito abafado de uma população que não aceitava ser silenciada.

A Educadora Ipanema, foi um desses veículos de comunicação fundado pelos sócios Leuzinger da Rocha Mendes - Liô(1918-1985) e Bartolomeu Freitas Oliveira-Batinho/Bofão (1940-2016), filho de seu José Soares Oliveira - Zé Urbano(1915-1995), em 1964, com o nome empresarial de “Organização Mendes & Oliveira”. Durou, no máximo, dois anos. Funcionava no quarto dos fundos da casa de dona Maria Zuza, localizada na rua 26 de julho.

Leonilton, filho do Liô, foi discotecário e locutor. Apresentava o quadro “Crônica do Meio Dia”, do colunista social Petrúcio Carvalho Melo(1950-2016) ou Petrúcio C. Melo que se transformou em um comunicador de sucesso. Leonilton trabalhou no escritório comercial do grupo da Casa o Ferrageiro na unidade de Paulo Afonso BA e depois foi bancário no Banco do Brasil.

Segundo o jornalista contemporâneo, Fernando Valões, Petrúcio deixou Santana do Ipanema no final dos anos 1960, revoltado com parte da sociedade santanense depois que ele programou a realização de um baile para escolher as celebridades e espalharam pela cidade comentários homofóbicos contra a realização do baile. Revoltado e humilhado, foi embora para São Paulo para nunca mais voltar.

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