Elias era também conhecido nas ruas de Santana do Ipanema como “Macaco Simão” e ”Rato de Igreja”, apelidos dos quais não gostava de maneira nenhuma. Aborrecia-se, resmungava, a ponto de jogar pedras nos meninos que mexiam com ele.
Na vida “profissional” exercia a atividade de péssimo lavador de carros onde os encontrasse estacionados. Paralelamente, nas horas vagas – que eram muitas – e depois de um dia de bastante ”trabalho”, tomava pinga, a exemplo de outros miseráveis pinguços. Chegava até a adormecer nas calçadas, Ao acordar, saía aos trancos e barrancos em direção à casa de sua mãe, no bairro da Camoxinga.
Parecia-me que Elias era procedente de Poço das Trincheiras. Dizia-se também que era irmão ou parente de “Tonho Baixinho do Poço”, conhecido na cidade como sujeito corajoso e valente, assassinado há muitos anos.
Por conta de defeito físico no braço direito, Elias ficou com a mão direita pouco envergada, quase colada à barriga. O defeito físico, talvez congênito, estendia-se ao longo da perna direita, obrigando-o a andar meio trôpego. Como dificilmente se barbeava e cortava o cabelo, a pouca distância dele se tinha a impressão de um símio, de que trata a história da origem dos animais. Não sei se de autoria de Zé Ormindo ou de Paulo Ney o apelido “Macaco Simão”. Confesso que também não sei até hoje de onde saiu o “Simão” do ”Macaco Simão”.
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Colunistas: ELIAS MÃO-DE-ONÇA
LiteraturaPor José de Melo Carvalho 07/02/2021 - 15h 30min Imagem Ilustrativa
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