Expus, há algum tempo, que não se deve tentar compreender e explicar um fenômeno político-social, como populismo, por exemplo, ou mesmo o fascismo, por um ser em particular. Mitos são construídos socialmente. Não são por si mesmos dotados de essência mítica a priori.
O que se viu, ontem, na votação do Senado e da Câmara é reflexo desses tempos sombrios e não somente mera barganha ou conchavo. Trocas de favores e cargos por si só não explicam tais votações. Há algo mais forte por trás, algo que se enraíza como uma crença, como uma fé política. Os fatores são múltiplos e diversos. Sem a legitimidade popular, sem a crença em um porvir messiânico, num inimigo político (porque é assim que eles racionalizam em suas irracionalidades objetivas, de algum modo!) a ser combatido, os mitos carecem de eficácia social, de poder político.
O trumpismo não se resume a Trump. Nem o bolsonarismo a Bolsonaro. Observem bem as instituições e percebam como elas estão repletas de fanáticos negacionistas e obscurantistas. O discurso do Ministro do STF Luiz Fux é revelador, neste ponto, quando denuncia o horror de saber que um Presidente de um Tribunal fez um discurso negacionista e obscurantista durante a sua posse. Não devemos ficar surpresos quanto a esse fato, se temos a História como mestra mor. Ora, fora o judiciário e os juristas alemães que não só abriram caminho para o nazismo alemão como legitimaram as mais abjetas e cruéis violências! E o povo legitimava também praticamente tudo ali e até contribuía com a sua parcela de vingança barbárica, praticando linchamentos e assassinatos, destruindo estabelecimentos privados e públicos, sedes de sindicatos e partidos, agredindo gratuitamente pessoas nas ruas...
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Colunistas: "Ideias não podem ser destruídas: violência e ideologias"
LiteraturaPor Adriano Nunes 03/02/2021 - 11h 46min Arquivo Pessoal
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